Jornal O Serigráfico

Criatividade e tecnologia se unem a fim de gerar novos negócios

Na década de 2000, o Brasil sofreu um declínio no setor têxtil e de confecções. O país perdeu espaço no mercado global com o crescimento dos produtos asiáticos, principalmente a China. Com esse novo cenário, tornou-se fundamental a criação de estratégias competitivas diferenciadas. E este papel inovativo foi exercido com maestria pelos empresários brasileiros, com destaque para a indústria química, que buscou novas soluções e desenvolveu aplicações diferenciadas para driblar a crise.
Neste panorama, Fremplast , Gênesis e Colordex vêm acompanhando de perto nesta década os desenvolvimentos internacionais e, muitas vezes, saindo na frente com a criação de produtos inovadores para a indústria têxtil, usando também de outros recursos.
A Fremplast, pensando no século 21 e visando o futuro, lança anualmente uma gama de produtos ecológicos, seja para atender o mercado atual ou novos desenvolvimentos.

“Além de inovar, buscamos novas tecnologias e tendências de mercados nacionais e internacionais, lançamos o novo produto Ecoplast free PVC (plastisol isento de PVC e ftalatos), que atende todas as normas nacionais e internacionais, produto destinado a inovar o mercado serigráfico, com aplicações tanto manuais quanto em carrosséis. Ainda também pensando em inovação e aperfeiçoando ainda mais o mercado, lançamos recentemente a linha Ecoplast soft Flex, dando aos nossos clientes mais opção de tinta com uma super cobertura e maior flexibilidade no manuseio e principalmente quanto a secagem, liberando menos gases e tornando o ambiente das estamparias mais saudável”, comenta Anderson Fernandes, químico P & D têxtil da Fremplast.
Com a constante evolução tecnológica, a Gênesis Tintas, além de criar produtos inovadores, resolveu investir nas redes sociais como estratégia de marketing. De acordo com o IBGE, o Brasil tem 116 milhões de pessoas conectadas na internet, e usar as redes sociais como uma forma de interagir com o público alvo se tornou um diferencial.
“Nosso desenvolvimento é muito forte e muitos produtos novos têm certa exclusividade. Lançamos recentemente as tintas ECOGEN (plastisol isento de PVC e ftalatos), tinta Hidrocryl Elastic, tinta Hidrotransfer PA e tinta Sericryl lousa. Estamos explorando bem as rede sociais para melhorar nossa interação com nossos clientes. Hoje temos a SILKTV, trazendo conhecimento, informação e capacitação para o mercado serigráfico. Temos a “Terça de Sucesso”, um canal do YouTube que fazemos ao vivo todas as terças-feiras apresentando diversos temas. Temos a Escola Gênesis, onde ensinamos a serigrafia de forma profissional, e a recém-lançada Radio Silk, uma forma descontraída de passar informações sobre serigrafia. Temos um departamento de desenvolvimento que está sempre fazendo parcerias com estilistas e desenhistas. Além de fazermos um trabalho forte com youtubers da moda e em redes sociais”, comenta Guilherme Ishii, gerente de desenvolvimento da Gênesis Tintas e diretor da Mega Global.
Para Guilherme , apenas as grandes empresas foram afetadas com o crescimento das importações asiáticas, empresas menores puderam criar novas alternativas técnicas e comerciais a fim de manter a estabilidade. Criatividade e tecnologia precisaram se unir para gerar novos negócios.
“Os produtos chineses do segmento têxtil, que até hoje são muito fortes e presentes, necessitam de grandes quantidades. Para grandes magazines sim, foi uma alternativa que eles tomaram importando hoje produtos prontos. Mas com isso deu espaço para o mercado de volumes menores, e ganhamos na personalização: estampas quase exclusivas por exemplo”, comenta .
Já a Colordex, além de possuir em seu portfólio uma vasta gama de cores, apostou em desenvolver cores especiais e personalizadas solicitadas por seus clientes, desde que requerido numa quantidade pré-estabelecida. Lançaram também recentemente a HIDROFLEX, tinta que garante ótimo rendimento de cor e cobertura que atende as expectativas dos clientes. Podendo ser aplicada em tecidos sintéticos e 100% algodão.
Para Felipe Simeoni, gerente de marketing e inteligência de mercado da Global Química e Moda, apostar em várias técnicas tem sido um diferencial para ganhar o mercado.
“A mistura de técnicas, serigrafia com a impressão digital, por exemplo, vem sendo uma ótima oportunidade para se diferenciar no mercado cada vez mais competitivo. A comunicação visual com tecidos tem ganhado mercado em comunicação indoor e em feiras e eventos, mercados que hoje no exterior o tecido já tem grande expressividade. No fitness, a impressão digital na poliamida, com tinta ácida, vem ganhando mercado pela leveza e sofisticação do tecido”, comenta .
Unindo esforços para a recuperação do setor, há diversas entidades envolvidas no fomento do mercado têxtil e na formação de profissionais qualificados. Em 2005, a Escola de Artes, Ciências e Humanidade (EACH) da USP criou o curso de Tecnologia Têxtil e Indumentária, mais tarde tendo seu nome alterado para Curso Bacharelado em Têxtil e Moda, com uma proposta única em unir estas duas áreas que se complementam dentro do mercado de trabalho. Após conclusão do curso, o profissional poderá atuar em indústrias têxteis de moda, lojas, confecções e em demais empresas ligadas à área, além de trabalhar com ensino e pesquisa. A variedade de atividades realizadas pela profissão é ampla e envolve a produção de fibras, fios, tecidos, projetos de coleções, acessórios de moda e novos produtos.
Em 2011, a Agência USP de inovação, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (ABIT), criou o programa Tecendo a Inovação, que qualifica universitários nos laboratórios e Institutos de Pesquisa da universidade. Os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ganharam programas de pós-graduação, mestrado e doutorado mais amplos em Têxtil e Moda, impulsionando a formação dos acadêmicos para atuar no setor e ampliar a competividade das empresas brasileiras. Segundo os organizadores, a ideia é agregar mais valor aos produtos têxteis e assim mudar a imagem de que o Brasil é exportador apenas de commodities.
E não parou por aí: em 2015, a Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC) passou a oferecer em Americana o curso de Têxtil e Moda, visando atender ao segmento de confecções, mercado em alta nas cidades vizinhas como: Santa Bárbara D’Oeste, Nova Odessa, Sumaré, Tietê, Piracicaba e Campinas, que juntos formam a região com a maior concentração do setor têxtil e de confecções do Estado de São Paulo. O curso une o conteúdo de Produção Têxtil aos assuntos relacionados à moda.
São essas parcerias inovadoras que movimentam o mercado têxtil e driblam a crise do setor. Estilistas, químicos, entidades e confecções se unem em busca de soluções diferenciadas que atraiam a atenção do consumidor. Com produtos de alto valor agregado, eles pilotam iniciativas que estão na vanguarda do desenvolvimento de novos produtos, fornecem para marcas de prestígio e projetam um crescimento significativo no setor, que já tem mostrado recuperação.
Essa é a prova de que criatividade e tecnologia combinadas à união de forças são capazes de gerar novos negócios, fomentar o mercado e recuperar o setor.

Agradecimentos:
Gênesis Tintas www.genesistintas.com.br
Fremplast www.fremplast.com.br
Global Química e Moda www.gqm.com.br
Colordex www.colordex.com.br

Fontes; SEBRAE, Anpad, Universidade de São Paulo (USP) e Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC)

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