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A busca por efeitos diferenciados resgata velhos processos                                                                                                                                                

Por muitos anos marginalizado na moda brasileira e praticamente banido das vitrines, o plastisol pouco a pouco vem caindo novamente no gosto do brasileiro e conferindo novos contornos ao vestuário no mundo. Capaz de promover efeitos diferenciados que agregam valor ao produto, cada vez mais vemos grandes estilistas, confecções e consumidores em busca do processo que praticamente sumiu do mercado.

Mas antes de mais nada, para muitos que não conhecem, o que é o plastisol? Composto à base de policloreto de vinilia e plastificantes, com alguns aditivos e pigmentos, o plastisol nada mais é que uma tinta que proporciona um efeito emborrachado e de alta definição; e também pode ser visto como um plástico líquido, que com a ação de temperatura se plastifica após a secagem.

Aplicado por serigrafia e amplamente usado na moda brasileira durante décadas, o plastisol sofreu tanto com o ‘boom’ da sublimação, quanto com a busca por processos mais sustentáveis. “O custo mais alto da tinta e restrições de uso devido a algumas matérias-primas compostas por ftalatos, além de apresentar um toque mais grosseiro e uma estampa mais pesada, o plastisol caiu no ostracismo durante algum tempo”, explica Guilherme Ishii, gerente de desenvolvimento da Gênesis Tintas. “A queda nos preços pagos por estampa de um modo geral também foi determinante para o sumiço do plastisol. A grande febre da sublimação nas peças que anteriormente eram estampadas e também com a crise econômica do nosso país, as confecções optaram por um custo menor utilizando tintas à base d’água, que limita alguns efeitos, mas torna as peças mais baratas”, completa Jorge Henrique, do departamento comercial da Top Color Tintas.

Mas nos últimos anos, o processo que por muito tempo foi o queridinho da moda, volta à cena e movimenta o mercado têxtil. “Nos últimos dois anos, temos notado uma crescente nos pedidos de estufas e flash cures, equipamentos utilizados no processo de estampa com plastisol. Havia muito tempo que não vendíamos uma quantidade significativa desses equipamentos por mês e, no entanto, a procura aumentou significativamente de uns tempos para cá”, comenta Odair Agostini, presidente da Advance Metal Printer.

Com a contínua exigência do mercado da moda e com saturação de estampas sublimadas e tintas à base d’água, as confecções estão novamente procurando alternativas para agregar valor ao seu produto, resgatando, assim, a linha plastisol em suas estampas. Usado de forma diferente do passado, em estampas menores e localizadas para criar algum detalhe diferenciado, o plastisol vem dando uma nova cara para a moda brasileira. Com a possibilidade de criar diversos efeitos, além de misturar esses efeitos na mesma estampa, o limite é a criatividade, proporcionando resultados excelentes e únicos. Por ser um produto com quase 100% de materiais não voláteis, é possível criar diversas técnicas diferenciadas: relevo, brilho, adesivos, cromias em alta definição, perolizado, cintilante (efeito metálico), fosforescente (que brilha no escuro), foil batido (relevo com aplicação de retalhos de foil, formando uma estampa colorida e divertida), flocagem (efeito camurça com aplicação do floco), entre outros.

O plastisol é usado em diversos segmentos, sendo mais comum na serigrafia têxtil. Funciona em qualquer substrato que resista a altas temperaturas e pode ser utilizado em quase todos os tipos de tecidos. A estampa em plastisol é feita de maneira bem parecida com a base d’água. Por se tratar de uma tinta com viscosidade maior, utiliza-se telas mais abertas (44-55 fios) para atingir maiores camadas e efeitos emborrachados melhores, com exceção dos plastisóis para cromia, indexado, simulado, que por se tratarem de pequenas retículas, necessitam de telas mais fechadas (77-90 fios) para atingir a definição desejada. Por ser uma tinta plástica, não seca à temperatura ambiente, ou seja, necessita de uma fonte de calor para pré-secar a mesma, não havendo, assim, problemas com entupimento de telas, comum no processo com tintas à base d’água. As fontes mais comuns para pré-cura são o soprador térmico e o Flash Cure. Após esse processo de aplicação, a peça deve ser levada a uma estufa para cura total por 2 a 3 minutos entre 160° C a 175° C. Não se deve empilhar estampa sobre estampa enquanto a peça não estiver à temperatura ambiente novamente.

Para quem deseja iniciar um negócio de estamparia e trabalhar com plastisol, o investimento inicial é relativamente baixo. Basta uma mesa de impressão, flash-cure ou soprador térmico, estufa (polimerizadora), um rodo com dureza média 60-70 shores e uma tela bem esticada com 16 newtons ou mais. O ideal é que o local de estampagem seja bem arejado e é desejável um sistema de exaustão. “Não existem estudos que comprovem qualquer dano que o plastisol  pode ocasionar à saúde, mas como se trata de um plástico que gera fumaça em sua pré-cura e cura total, recomenda-se a exaustão da mesma, pois o excesso de fumaça pode ocasionar irritação das vias respiratórias e olhos. Como todo produto químico, o produto não deve ser descartado em qualquer lugar; existem empresas especializadas para o descarte ou incineração do mesmo”, esclarece Jorge. “Muito cuidado para armazenar ou transportar o plastisol, pois pode haver alterações na sua viscosidade com muita facilidade”, alerta Guilherme.

Alta produção, detalhes e qualidade de imagem, alta cobertura e infinidades de efeitos diferenciados, dando um aspecto tridimensional à estampa, fizeram o plastisol cair de novo no gosto do consumidor. O único inconveniente que se tem no uso do produto é a necessidade do tecido ou substrato resistir ao calor da pré-cura e cura final, além do cuidado do usuário não passar a ferro a estampa pronta, já que esta não resiste ao calor direto. Existem estamparias que se especializaram em plastisol e que atendem clientes que trabalham com moda. Por produzir um efeito emborrachado único, que não se pode obter com nenhum outro processo, o plastisol é uma excelente alternativa para as estamparias e confecções que desejam inovar e incrementar suas estampas, num mercado cada vez mais competitivo. Vale a pena arriscar!

 

Agradecimentos: Advance Metal Printer (www.metalprinter.com.br), Gênesis Tintas (www.genesistintas.com.br) e Top Color (www.topcolortintas.com.br)

 

 

 

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sousa@oserigrafico.com
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