Jornal O Serigráfico

 

 

Anderson Clayton dos Santos, de São Paulo, é daquelas pessoas que nasceram para o mercado em que atuam, formando um casamento perfeito. Sua jornada profissional começou aos 14 anos, já na comunicação visual. “Eu comecei a trabalhar em 1994 em uma empresa de sinalização arquitetônica, que fazia comunicação para shoppings, hospitais e aeroportos, entre outros empreendimentos, chamada Sistema 2/90, cujo nome referia-se ao tamanho mínimo e máximo em polegadas que conseguíamos produzir. Entrei lá para trabalhar na produção, para aprender a operar uma plotter de recorte, ainda novidade no Brasil. Era tudo muito diferente do que é hoje, eu operava um software ainda no sistema DOS”, relembra.

Esforçado e inteligente, logo Anderson já estava dominando o equipamento e aos poucos foi ganhando seu espaço. “Comecei a ter contato com plotters e informática e me empenhei nisso. Acabei dominando bem a técnica e o equipamento e logo tive a oportunidade de tomar conta da fábrica. Ali, tive contato pela primeira vez com a serigrafia, que era um setor da empresa também. Foi lá também que aprendi a gestão de pessoas, algo bastante importante para o meu trabalho. Aos poucos, fui ficando mais solto e passei a viajar pela empresa para fazer os levantamentos de projetos de sinalização para grandes empresas, como Volkswagen, General Motors, Hospital Albert Einstein, Novotel, shoppings centers, entre outros”.

Depois de 7 anos de empresa e muita bagagem profissional adquirida, Anderson sentiu necessidade de respirar novos ares e começou a se abrir para as oportunidades. “Coincidentemente, um dia estive no prédio da Roland para construir um projeto de sinalização e numa conversa como presidente da empresa, fui convidado para fazer um freelancer numa feira do setor. Eu aceitei, ainda trabalhando na Sistema 2/90. Eu operava bem as plotters, o Takao viu isso e acabou me convidando pra trabalhar com eles. Entrei lá como Especialista de Produtos, quase sem uma função muito determinada”, conta.

Mas toda a experiência e o conhecimento de Clayton puderam aos poucos ser aproveitadas na empresa, construindo uma carreira de sucesso. “No começo, eu refilava amostra e tinha uma mesa num vão embaixo da escada. Depois disso, me deram um manuais para que eu corrigisse as traduções do inglês para o português, porque as traduções eram muito literais e não se encaixavam bem na nossa linguagem. Lendo os manuais dos equipamentos durante o dia todo, aprendi tudo sobre eles e com esse conhecimento, passei a dar treinamento, fazer a instalação deles nos clientes e reparação. Nessa época, o então gerente já não estava mais e trabalhávamos praticamente eu e o Takao (até aquele momento diretor da empresa). Conhecendo muito bem os equipamentos, um dia consegui fazer a conversão de um equipamento base água para solvente e aí a coisa deslanchou, porque o Japão, a partir disso, iniciou as pesquisas e produção dos equipamentos base solvente, que tinham um custo muito menor”.

Com o início da produção dos equipamentos solvente, a Roland deslanchou no mercado e cresceu a ponto de montar uma divisão especialmente para a área de comunicação visual, que atualmente opera de maneira independente. “Fiquei na área de produto e técnica, mas em 2004 eu quis sair da Roland, quis mais uma vez buscar novos ares e resolvi montar um bureau de impressão com um amigo. Fazíamos as decorações temáticas das lojas do Brás e Bom retiro e foi um grande sucesso por um ano e meio, porém por divergências de objetivos com meu sócio, eu resolvi sair e, mais uma vez, o Takao me convidou para trabalhar com ele”, comenta.

Sabendo de sua capacidade e potencial produtivo, Takao resolveu, então, montar um bureau de impressão da própria Roland para atender às demandas da Roland Musical, que vendia muito bem no Brasil e demandava muito material de PDV. “Eu virei coordenador na ocasião e fui trabalhar numa casa na Vila Sônia, onde montamos o bureau. Ficou maravilhoso, porém, percebi que era um espaço sub-aproveitado, com um super potencial que não era utilizado. Comecei, então, a contatar fabricantes e pedir material para produzir amostras. Com isso, montei books de diversas aplicações diferentes e do que podíamos fazer no bureau. Recebemos uma comitiva internacional lá e dali surgiu a ideia de montar show-rooms de aplicações. O primeiro a montar foi um italiano, que montou um prédio só para isso. Nascia ali, meio sem querer, o Creative Center da Roland”.

Com tanta capacidade, Clayton não poderia ser designado para outro departamento que não fosse o de desenvolvimento de produtos. Foi de suas pesquisas e insights que também nasceu a sublimação da Roland, em 2007. A partir de 2010, assumiu também o departamento de marketing e hoje podemos dizer que Anderson Clayton é “a cara da Roland no Brasil”, sendo reconhecido no mercado como um grande gestor.

Nesses mais de 20 anos de mercado, evidentemente não faltam histórias para contar, situações inusitadas e “causos”. “Mas uma que me marcou bastante foi o contraste entre situações que ocorreram num curto período. Logo que entrei na Roland, fui fazer uma instalação na John Deere, no sul. Fui tão bem recepcionados, foram me buscar numa van de luxo, a empresa era super bem estruturada e fiquei até me sentindo privilegiado. Voltei a São Paulo e eu tinha uma instalação marcada para Rubiataba, em Goiás, onde também iriam me buscar numa van. Depois de muito esperar, eis que chega uma van que mais parecia um pau de arara, tinha até galinha dentro. Me mandaram ir na frente, espremido entre o motorista e um outro passageiro, com o sol batendo na perna a viagem toda, que era longa. Quando menos espero, o motorista liga o rádio num forró danado e um amigo da Roland me liga bem na hora! Óbvio que ele achou que eu tava me divertindo no forró ao invés de trabalhar… Cheguei à empresa do cliente, fiz o que dava e lá pelas 20h, pedi para ele me levar para o hotel, que havia sido combinado que eles reservariam. Foi então que ele me informou que não havia conseguido reservar hotel (até acho que não havia Hotel na cidade) e que eu teria que dormir na casa dele. Já que não tinha outro jeito, fui, mas foi a noite mais louca da minha vida. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum porque passava alguém assoviando na minha janela. Parecia que era alguém de bicicleta, skate, ou algo assim porque o assovio era mais alto e logo ficava mais distante. Aconteceu por diversas vezes durante a noite, isso sem contar nos pernilongos que não me deixavam dormir nem quando eu já estava caindo de cansaço. No dia seguinte, contei o que aconteceu para a família e o que me disseram foi que quem assoviou na minha janela a noite toda foi um saci. Verdade ou mentira, lenda ou não, eu sei que saí de lá impressionado e nunca mais esqueci essa história”, conta Anderson entre risos.

Sobre quem foi importante na sua trajetória profissional, Anderson é taxativo “Takao Shirahata. Tudo o que sou eu devo às oportunidades que ele me deu, à confiança que teve em meu trabalho”.

“Hoje o mercado, além de ter crescido muito, está muito mais profissionalizado, apesar de ainda termos uma carência de mão de obra para operadores. O que posso dizer é que o mercado de comunicação visual é um dos mercados mais rentáveis e fáceis de entrar, dando oportunidades de realizar um excelente serviço e entregar algo a mais, cobrando por isso. Mas o mais importante para ter sucesso é ter princípios. Tudo o que construí não foi às custas de ninguém e sim de amor e de dedicação. No mundo em que vivemos, não há espaço para se acomodar, é preciso acreditar, gostar, mas manter seus preceitos. Tudo é dedicação e o amor que você coloca ali se reflete e gera resultados”, finaliza

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