Jornal O Serigráfico

Por: Mara de Paula Giacomeli

Buscar informação e usar a ética para atender o cliente-alvo são orientações de Anisio da Silva para quem se adentra no mercado serigráfico ou da comunicação visual.

Em um mercado atual repleto de tecnologia, é indispensável a quem está iniciando no ramo conhecer um pouco a história de quem começou em uma época onde não existia internet para facilitar as pesquisas e tampouco as facilidades da modernização.

Anisio da Silva, nascido em Ribeirão Preto, filho de comerciantes de bar, começou sua jornada corporativa ajudando o pai e, em seguida, auxiliando o tio em uma tapeçaria.
Se formou em eletrotécnica e, após estagiar em três hidroelétricas, foi conduzido a cursar Desenho Arquitetônico, o que o levou, após trabalhar como vendedor em loja de ferramentas e parafusos, a gerenciar duas lojas de móveis do mesmo tio para o qual já havia trabalhado junto na tapeçaria.
Em paralelo, como meio de aumentar sua renda, principiou na arte de fazer pinturas em veículos e máquinas de dragagem de uma empresa vizinha a uma das lojas que gerenciava, até decidir largar a administração das lojas e ingressar como autônomo.
“Por problemas de ordem pessoal, trabalhar com família se torna complicado, larguei tudo. Em visita a um amigo que mantinha um açougue perto de casa, pedi para refazer a pintura do prédio e em seguida realizar a pintura do letreiro na parede e, como garantia do meu serviço, disse a ele que se não ficasse bom, ele não precisaria pagar. No caminho de volta, passei no bar dos meus pais e lá estava um amigo de infância, Manoel Marcos, o Lemão, e em conversa descobri que ele estava desempregado, acabei o convidando para trabalhar comigo no açougue”, comenta Anisio.
Foi então o início de uma parceria que dura até os dias atuais.

Inicialmente, os trabalhos de letreiros eram executados em sua própria residência e, anos depois, em um salão alugado, ampliando em seguida para um prédio melhor localizado.
Contratado por empresas expositoras em feiras de calçados (Couromoda e Francal), trabalhavam constantemente, mas o retorno financeiro era garantido.
“Trabalhávamos por 4 ou 5 dias ininterruptos nos pavilhões. Naquele tempo, tudo era pintado à mão com látex e detergente na mistura, toda comunicação dependia de letristas como eu, era uma época boa! Em certa ocasião, eu e o Lemão, trabalhando em uma feira no Anhembi por horas, estávamos com muita fome e, ao sentirmos um cheirinho de comida, decidimos procurar de onde vinha. Encontramos um lugar gigantesco, repleto de mesas e sem ninguém para nos passar informações. À nossa esquerda, pudemos ver vários panelões num fogão enorme, com o fogo ligado e, à direita, saladas e frios. Olhamos um para o outro e deduzimos que havíamos chegado muito cedo, pois a comida ainda estava sendo feita. Com isto, um funcionário nos informou: Fiquem à vontade, podem se servir. E lá fomos nós para as saladas, pois não sabíamos que aquele fogo era para manter a comida quente, pensávamos que ainda estava sendo feita. Após comermos saladas e mais saladas, nos dirigimos para pagar a conta e foi então que notamos que os clientes que chegavam abriam as panelas e se serviam. Saímos de lá com uma mistura de vergonha, raiva e dando risadas. Recordamos deste episódio até hoje”, relembra Anisio.

Sem as facilidades tecnológicas encontradas atualmente, surgiam contratempos que deveriam ser resolvidos na prática, e ser um bom observador era qualidade necessária para garantir soluções.

“Como eu já havia desenvolvido ou adaptado algumas técnicas de pintura para agilizar e aumentar a produtividade, um fabricante de toldos bem conceituado na época, aqui em Ribeirão, trouxe um material de lançamento, com o nome de Night & Day, hoje muito conhecido em todo o segmento, para que eu pintasse uma logomarca. Surgiu então um problema: qual tinta usar? Como bom observador, fui procurar tintas para plásticos na lista telefônica, acabei chegando a uma empresa de brindes, que me forneceu um pouco do substrato, mas a dificuldade continuava, pois era uma pasta espessa, impossível de pintar a pincel. Acabei por ligar para o fabricante, Saturno Tintas, para obter maiores informações, e desde então acabei virando um cliente. Com isso, aprendi que utilizando esta pasta e o processo serigráfico aumentaria nossa produtividade. Com as poucas informações e as muitas dúvidas sobre o processo, recorri a um outro fabricante de brindes aqui na cidade e, para minha surpresa, ele estava de mudança para a Itália, e como resposta aos meus questionamentos ele sugeriu: ‘fica com este meu funcionário, que ele sabe tudo de silk.’ E foi assim que o Emerson, grande profissional do ramo, veio trabalhar comigo”.
Conforme as demandas aumentavam, a busca por tecnologias que facilitassem sua produção e agilizassem seus processos se tornava necessária. Assim sendo, Anisio comprou um plotter de recorte Roland, que veio acompanhado de um computador e uma impressora digital a laser em formato A4. Foi o marco inicial para se adentrar no mercado de banners em silk.
“Antes, eu demorava um dia todo para fazer no máximo 2 banners pintados à mão. Com a aquisição das novas máquinas, tive a oportunidade de fornecer banners para empresas levarem para exposições fora do Brasil, como Israel e Inglaterra.
Como nossa impressora era tamanho A4 e a demanda era para artes de formato médio de 0,70×1,00m, tivemos a ideia de colar folhas de A4 até atingir o formato do banner. Tudo era adaptado.
Os equipamentos, garras de mesa com quadros de madeira e pesos feitos com latas de tintas cheias de britas, sempre encontrávamos um meio de resolver.
A evolução veio depois, com a visita nas primeiras feiras de silk em São Paulo. Conheci equipamentos de serigrafia de grandes formatos, incluindo a curadora ultravioleta, que ficou parada na empresa por mais de 2 anos por falta de tintas próprias no mercado.”
Como orientação para quem está começando, Anisio instrui não somente buscar informações, mas a convertê-las em conhecimentos, usando da ética para atender o cliente-alvo.
Hoje, Anisio é proprietário da Anisio Visual em Ribeirão Preto e agradece a todos que tanto colaboraram para chegar onde está.
“Muitas pessoas fizeram parte da minha jornada, a quem atribuo uma enorme gratidão. Em especial, àquele que se tonou meu irmão, Manoel Marcos, o Lemão, meu anjo da guarda, e àquele que me incentivou a voltar para a faculdade no início dos anos 2000, Delso Martins (“ in memorian”), o meu muito obrigado.”

Anisio da Silva – Anisio Visual
www.anisiovisual.com.br

Por: Mara de Paula Giacomeli

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