Jornal O Serigráfico


“A curiosidade não matou o gato”
Partindo deste pensamento, o paulista Ary Luiz Bon, consultor de empresas nas áreas de colorimetria, controle de processos e desenvolvimento de produtos (envolvendo imagem, elaboração de perfis de cor e projetos de dispositivos eletromecânicos), afirma que ainda não perdeu esta característica tão importante no processo de agregar conhecimentos.
“Continuo curioso sobre como as tecnologias da transferência de imagem funcionam, conheço bastante a área mas tenho certeza que ainda tem mais para aprender. Sempre surgem novas questões para a conveniência, para a produtividade, ou raro, mas tenho esperança, para o apuro técnico.”
Antes mesmo de cursar arquitetura na faculdade, Ary já trabalhava com artes plásticas, participando de salões oficiais de artes e exposições com grupos de artistas.
Já ingressado na faculdade, em 1970, teve a oportunidade de lidar com fotografia e serigrafia. Ganhava pouco com trabalhos avulsos, mas o aprendizado e a atividade recompensavam.
“A serigrafia começou para mim como uma extensão da fotografia. A comunicação visual era sobretudo elaborar cartazes para eventos com artes de tipografia e de imagens. Esses trabalhos eram “bicos” na minha época de faculdade”, relembra Ary.
Por não demandar equipamentos sofisticados e permitir resultados comerciáveis de qualidade, a serigrafia passou a ter dedicação mais intensa. Começou com trabalhos simples, sem grande exigência, até surgir o desafio de montar uma estrutura completa, com expositora, reveladora, estufa e mesa para impressão de circuitos de duas faces.
Foi um estímulo para buscar novas perspectivas e em seguida ser contratado como supervisor de produção e na engenharia de processos dedicados a circuitos impressos.
Sua trajetória corporativa abrange uma série de funções. Foi projetista de arquitetura, decoração e dispositivos mecânicos e ainda arte-finalista em empresas próprias. Foi supervisor de produção de circuito impresso na Carton, engenheiro de processos na Eletrocomp, projetista de sistemas para prototipagem em escolas técnicas e no Instituto de Cardiologia em São Paulo. Trabalhou com representação, importação e suporte técnico a produtos serigráficos em 5 países da América Latina para a Autotype Americas Inc e trabalhou na Xerox como representante de marketing e especialista em cores. Foi também professor de fotografia e Autocad em cursos livres e professor de serigrafia no Senai.
“Em resumo, pessoalmente meu perfil de serígrafo é mais “acadêmico”, mas atuo de forma bastante prática com meus clientes, afirma Ary.
Com a evolução tecnológica, Ary presenciou a queda de algumas especializações profissionais, mas pôde observar que, embora fosse um processo mais rápido, a qualidade de produção gráfica feita através do computador diminuía.
“Tem os caras (empresas e profissionais) que são “feras” na qualidade, é claro. Mas prestando atenção, percebemos que a regra geral é escolher a conveniência sacrificando a qualidade gráfica, ocorre tanto em serviços e materiais quanto em equipamentos. Não é nem a questão do gasto, que muitos confundem com preço, mas sim a questão da lei do menor esforço. Eu devo ser louco, escolho sempre
coisas trabalhosas, argumenta Ary.
Para Ary, o processo de serigrafia está longe de chegar ao fim. A impressão digital surgiu para atender produção por demanda, não para substituir outras tecnologias. Vemos hoje uma soma, possibilitando a união entre tantos mercados de impressão.
“A oferta de insumos e equipamentos, na performance e na qualidade, teve um regresso, porém ficou mais popular. Estou falando tanto da serigrafia quanto da impressão digital, quanto mais barato pior fica — é a tendência. Pior porém mais conveniente, para dar charme. O lado bom destas tendências é a confluência de tecnologias, ao contrário dos “urubus” de plantão, preconizando o “fim da serigrafia”. Hoje vemos serigrafia, flexografia, digital e offset se juntando em mesmos equipamentos, esta tendência começou em 2008 (visto na DRUPA) e parece que vai continuar”, esclarece.
Ary termina a entrevista agradecendo àqueles que colaboraram para seu aprendizado e ingressão no mercado que tanto faz parte.
“Hoje agradeço ao cara que me ensinou serigrafia, meio que inadvertidamente (já que eu pagava a ele por aulas de xilogravura), Paulo Menten, artista plástico de quem perdi o contato há anos mas lembro com carinho. Dois outros caras bastante simpáticos são o Michel Kavanagh e Neil Bolding, gerente de vendas e gerente de qualidade na Autotype na época, respectivamente. O primeiro me tirou uns preconceitos quanto à atividade comercial, e o segundo me inspirou com a mordacidade inglesa típica porém gentil, finaliza Ary.

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https://filosofoserigrafico.blogspot.com/
https://pt.slideshare.net/AryLuiz

Por: Mara de Paula Giacomeli

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