Jornal O Serigráfico

 

Há alguns meses atrás, escrevi, nessa coluna, que Donald Trump faria de tudo para retroceder com as ações favoráveis ao meio ambiente e à saúde da população e do planeta. Gostaria que essas ações não fossem deflagradas tão rapidamente, mas em pouco mais de três meses de governo, além dele assumir que ordenou atacar a Síria, indo contra os tratados da ONU de paz, provocando as nações a tomarem partido e formar “blocos” pró e contra sua  extraordinária atitude, temos ainda os desmandos e revogação de Leis oficializadas pelo ex  governo presidenciável de Barack Obama.

Ao assinar em 28 de março de 2017 o decreto executivo da Independência Energética, ele assinou o retrocesso com impactos negativos para a sociedade de uma forma incalculável. Ao atacar a Síria, em 06 de abril, num bombardeio contra a base aérea de Shayrat, em Homs – uma das principais bases da força aérea do governante líder sírio Bashar al-Assad – ataque por represália a um ataque químico realizado em Khan Sheikhun província dominada por rebeldes, a qual a casa Branca atribui as forças de Assad, mas não se tem certeza, agravou a guerra civil na Síria, que nesses últimos seis anos já deixou centenas de milhares de mortos e mais de cinco milhões de refugiados pelo mundo.

A maior nação poluente, por exemplo, em emissões de gases estufa (GEE), que provocam o aquecimento global, os Estados Unidos da América, ao liberar energia proveniente das usinas de carvão, que é uma das fontes de energia mais poluentes e prejudiciais para a saúde humana, dá o exemplo de um grande erro, desestimulando todo um trabalho de décadas, de cientistas e educadores, que provaram todo o malefício para a população se a temperatura aumentar em dois graus centígrados, provocado pelo efeito das emissões dos gases estufa, em toda a cadeia alimentar e biota, afetando todas as espécies de vida, inclusive a nossa.  Essa atitude egoísta e capitalista vem na contramão da direção que o mundo deve tomar, caso queira que a vida humana seja preservada e reparar o erro causado por falta de conhecimento: energia limpa e desenvolvimento sustentável.  A ideia de que quanto mais chaminés soltando fumaça, usando energias não sustentáveis e limpas, é sinal de grande desenvolvimento, já foi abolida há muitas décadas… Só Donald Trump não foi avisado, a saber.

O problema é que, se ele, o homem de maior poder do mundo, decreta essas insensatezes e as pessoas americanas, por medo e ou por vantagem financeira, acatam essa resolução, outras nações como China também não combaterão o aquecimento global e, assim a Índia, Brasil…

O governo de Michel Temer e o ministro Sarney Filho estão propensos a duas liberações significativas para contribuir com o Trump. Temer, por sua vez, pode reduzir áreas de Florestas na Amazônia, as criadas Unidades de Conservação (UC) só para atender os grandes ruralistas do agronegócio no Amazonas. E nosso ministro do Meio Ambiente quer um licenciamento ambiental “flex”, onde isenta da necessidade de licença 97% dos imóveis rurais do país, praticamente acabando com o licenciamento ambiental no Brasil. Eles só não entendem que se fizerem isso de destruir a Amazônia, aliado ao conjunto dos efeitos da mudança global do clima, poderão quebrar um ciclo de irrigação da região mantido, exatamente, por essas florestas que mantém o regime de chuvas e abastece a agricultura. Sem florestas, a temperatura sobe e a chuva diminui. Exemplo do que acontece com a região do Xingu, desde 2000.

Todos os grandes abalos históricos têm conseqüências no povoamento do planeta, talvez alguns homens poderosos estejam querendo fazer parte de uma história cujo final ninguém possa contar, porque não haverá sobreviventes…

 

Assim como é (Nyoze, nyoze – hindu) .  Havia uma árvore que virou barco que se tornou mesa, banco e depois foi queimada para aquecer, cozinhar, alimentar, dar vida. Vida sempre produz vida. Cinzas não voltam a ser brasa, mas retornam à santa terra imaculada e se misturam com restos de gente, de porcos, de peixes, de árvores, de agentes químicos, de ferro, de plástico. Misturando-se e virando pó, terra, que fertiliza a planta que alimenta a vida que retorna à terra para alimentar a vida. Não há nascimento, não há morte. Esse é o ensinamento supremo da escola Mahayana – movimento da tradição budista.

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