Jornal O Serigráfico

Carlos Alberto Candido, paulistano nascido na Mooca, começou na serigrafia bem cedo, ainda criança quase como uma brincadeira, na empresa do pai. “Tudo começou com meu pai que, quando criança em sua cidade natal, vendia água e uma das dificuldades é que os baldes de aço furavam com o tempo. Na época, ele comprava estanho, fazia uma fogueira para derretê-lo e fechava os furos. Ao chegar em São Paulo, ele foi fazer teste em uma empresa que fazia esta mesma solda em caloríficos, só que utilizavam equipamento profissional a gás. Como ele já tinha essa experiência anterior, a adaptação foi imediata e a partir daí começou nossa história, já que depois ele fundou a Candido. Assim, aos sete anos de idade eu já apertava parafuso de mesa aos sábados e apartir de 16 anos já trabalhava integralmente com montagem de estamparia e caloríficos, que era a maneira utilizada para secar tecido”, conta Carlos.
Como algo natural, Carlos cresceu dentro da empresa do pai e também profissionalmente, pois foi se interessando cada vez mais pelo assunto e assumindo os desafios que apareciam. “O trabalho não era uma obrigação e cada montagem tinha uma particularidade, um projeto, um desafio diferente. Com 18 anos eu já tinha certeza que este seria meu caminho, já montava orçamentos, tirava medidas, montava detalhes dos projetos e assim por diante”, comenta.
A empresa cresceu, evoluiu o profissional se especializou cada vez mais no assunto e a empresa, quase artesanal inicialmente, foi tomando o corpo de uma indústria de verdade. “Tinhamos um trabalho extremamente artesanal, praticamente tudo feito à mão, até o dia que visitei a primeira feira de mecânica. Fiquei deslumbrado ao conhecer máquinas que facilitariam e muito nosso trabalho! A partir daí começamos a invertir em maquinário e passamos de uma garagem de 30m² para um salão de 80m², depois para galpão próprio de 650m² e hoje contamos com um área de 1.100m².
Carlos atribui seu sucesso – e o da empresa – à família e ao legado deixado por seu pai. “Não há dúvidas de que nossa história está construída na família. Somos três irmãos que lutamos sempre juntos e passamos por todas as turbulências que o mercado nos impôs e também pela perda de um lutador: nosso pai. Quando ele se foi permanecemos juntos e temos o prazer de ter montado um número imenso de estamparias, de ter adquirido o respeito de muitos pelo trabalho sério e honesto que exercemos durante todos esses anos”, declara.
Histórias, casos e memórias não faltam nessas décadas de empresa: “tantos anos e tantas viagens renderam muitas histórias interessantes e em uma delas estávamos em uma exposição em Munique e fomos convidados para um jantar. A surpresa é que nossa mesa tinha cinco brasileiros, três egípcios, dois alemães e uma dúzia de chineses, uma confusão de línguas, mas que no final das contas conseguimos nos entender. Esse é o reflexo de nosso mercado, uma mistura de conhecimentos e vivências que convivem entre si”.
Sobre o que viu nesse tempo de mercado, Carlos diz: “o mercado de serigrafia evoluiu tremendamente, as técnicas de estampar, as tintas, a revelação, os equipamentos sofreram uma vertiginosa evolução em 30 anos. A serigrafia têxtil tem se renovado constantemente e ido contra as previsões de que se extinguiria. É um processo que jamais morrerá”.
“Sempre buscamos algo, corremos atrás de realizações e desejos, mas uma das coisas mais importantes da vida é trabalhar naquilo que gosta. Imagine todos os dias passar mais tempo no trabalho no que na familia e não sentir prazer no que faz, seria uma tortura diária! Nós montamos estamparias há muitos anos e muitos acharam que não seguiríamos quando nosso pai se foi; que não suportaríamos as máquinas de bordados, os carrosséis, as máquinas digitais… E o tempo passa e permanecemos por um simples motivo: a serigrafia depende de criação, imaginação, habilidades humanas que máquinas só podem dar suporte e não substituir. E pra cada criação haverá um tamanho de serigrafia adequado e todos o tipos de máquinas poderão ser utilizadas”, finaliza.

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