Jornal O Serigráfico

foto-1Ecidir Solla Recher, nascido em Cafelândia, no estado de São Paulo, é mais do que um veterano da serigrafia. Há 45 anos no mercado, Ecidir começou a trabalhar muito cedo como ajudante, em uma pequena firma em São Caetano chamada Tangara. “Passei por várias empresas como Borracharia, Mercedes Benz e Labortex, até chegar à Super Display, minha primeira experiência na área de serigrafia”, comenta.

Com grande facilidade para o desenho e procurando uma maneira de ganhar a vida, Ecidir logo conseguiu seu espaço na empresa. “Comecei mesmo fazendo desenhos e recortando rubilit. Na Super Display, trabalhei como desenhista, depois encarregado de silk e depois gerente geral e responsável pelo setor de moldes de vacuum forming. Depois, vieram a Artevac, LM, Cartona, Abeto Embalagens, Serv Screen, Politransfer. Foi então que montei meu próprio negócio, a JC Visual”, conta.

Obviamente, em 45 anos de trabalho, não faltam histórias pra contar. “Uma delas foi quando fiz a primeira máquina de impressão junto com um amigo engenheiro finlandês. Iniciamos a partir de uma foto de uma máquina que ele tinha trazido da Alemanha, que se chamava Kaman. O dono da empresa que eu trabalhava me disse que se não desse certo eu perderia o emprego. Fizemos um protótipo e deu tão certo que fizemos 30 máquinas que foram vendidas no Brasil todo. Quando eu vi que não ganharíamos nada com nosso trabalho, disse ao meu amigo: ‘não faremos manual das máquinas e, quando quebrar, daremos assistência e cobraremos por fora’. Assim conseguimos ganhar uma boa grana!”.

Entre as pessoas que fazem parte de sua história, Ecidir declara: “são inúmeras as pessoas, amigos e professores que me ajudaram a compor minha historia. Um deles se chamava Waldemar, que morreu recentemente, e era um excelente desenhista e cartunista como poucos!”.

“As dificuldades que tínhamos na época em que comecei eram tantas que o pessoal de hoje nem imagina. Não havia emulsão fotográfica, afiador de rodo, poliuretano para os rodos e os tecidos eram ruins, pois os bons eram caros e não tínhamos acesso. Os desenhos eram todos feitos à mão com caneta nanquim, os fotolitos eram recortes em rubilit, as letras eram letraset e as mesas de impressão eram todas improvisadas, feitas com dobradiça de porta. A serigrafia evoluiu demais nesses 45 anos!”.

Sobre sua trajetória, Ecidir comenta: “tudo o que se faz na vida com dedicação e lisura compõe a estrada que irá seguir até o final dos seus dias. Os amigos, os exemplos que temos que deixar para os filhos e as pontes que não devem ser derrubadas, pois sempre teremos que voltar, compõem esse conjunto. Meu pai me dizia: ‘filho, se não sabe nadar nunca derrube as pontes, pois se tiver que voltar terá dificuldades. Por isso, em todos os lugares que trabalhei, sempre fui bem recebido e continuo sendo até hoje”, finaliza.

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