Jornal O Serigráfico

 * Thomaz Caspary

Ultimamente tenho visto muitos avestruzes nas nossas gráficas. São aqueles empresários que protegem principalmente a sua cabeça, mas que ficam com o corpo totalmente exposto. Um ditado popular nos diz “o que os olhos não veem o coração não sente”. Acontece, porém, que a empresa não tem olhos e sim um corpo que acaba sentindo muito o que a cabeça não quer ver.

Empresas que optam por enfiar a cabeça num buraco e não reagir diante deste momento difícil, fecham os olhos para esperar que os problemas passem. Grande parte das vezes é uma prática que não dá mais certo. Quantas gráficas que, olhando somente para o escuro do buraco, não percebem as oportunidades que podem surgir durante as crises e resolvem deixar de conquistar, de crescer, optando por continuar oferecendo os mesmos produtos e serviços que as tornaram conhecidas no mercado. Elas esquecem que, no mundo empresarial, não crescer significa diminuir ou sumir.

Temos também muitos profissionais que perderam e continuam perdendo grandes chances por terem medo dos desafios, do inesperado, por não saberem lidar com os problemas e adversidades. Diante de qualquer situação conflituosa, correm para enfiar a cabeça num buraco e esperar que o “vendaval” se acalme. Há ainda aqueles que vivem constantemente olhando para si mesmos, com a cabeça enfiada no umbigo, não se relacionando com outras pessoas, tendo medo de se apresentar ao mercado, de fazer parte e interagir com o sistema. Eles esquecem que o crescimento pessoal e profissional acontece nas relações intersociais.

Quantas empresas desapareceram ou foram incorporadas pela tecnologia e quantos profissionais ficaram sem recolocação no mercado de trabalho por terem sido avestruzes, com suas cabeças enfiadas na terra, achando que assim os desafios passariam e tudo voltaria ao normal. Com essa atitude não se desenvolveram e não conseguiram permanecer no mercado.

A empresa que quiser permanecer no mercado necessita desenvolver-se, adquirir novas competências e não pode simplesmente esconder-se dos problemas, acomodar-se fazendo tudo do mesmo jeito que faz há muitos anos. Arrisco dizer que muitos empresários preferem ficar onde estão a suportar mudanças e inovações e isso é um comportamento perfeitamente normal. Esses empresários, porém, precisam ter em mente que é sua a responsabilidade pela estagnação e não crescer pode significar não encontrar novas oportunidades. O mercado gráfico não precisa de avestruzes, e sim de verdadeiros líderes, de empresários que acreditem nas oportunidades que podem surgir nas crises, e que nos relacionamentos humanos toda a equipe pode crescer.

Ainda que a crise pareça muito tempestuosa, tire a cabeça do buraco e enfrente-a, e enfrentando-a, aprenda com ela.

 

*Thomaz Caspary é consultor de empresas, Coach e diretor da Printconsult Ltda. – tcaspary@uol.com.br – Tel.: (11) 3167-6939 e (11) 99105-2776.

Comente: