Jornal O Serigráfico

O mercado de comunicação visual vem evoluindo cada vez mais e, com ele, novas possibilidades para a utilização dos adesivos têm surgido, bem como a modernização e melhoria dos vinis auto-adesivos, que hoje estão presentes em nosso dia a dia, mesmo sem percebermos.
Com o boom do envelopamento automotivo há alguns anos, o adesivo caiu na graça do brasileiro, que cada vez mais vem voltando seus olhares para este produto que é capaz de transformar ambientes, móveis, objetos, carros, eletrodomésticos e transmitir a mensagem que queremos passar.
O processo é bastante simples e sem sujeira, mas é preciso conhecimento do adesivo e do local/produto onde será aplicado, além de um bom planejamento de aplicação.
Basicamente, existem dois processos de envelopamento: seco e úmido.
Cada um com suas particularidades, há ainda hoje muita polêmica no mercado sobre a aplicação de ambos os processos. É sabido que muitos envelopadores ainda utilizam o processo úmido na maioria de suas aplicações, apesar de o mesmo não ser recomendado pela maioria dos fabricantes, a não ser em casos específicos.
“Para envelopar com o processo úmido, é necessário borrifar a superfície com uma solução de água e detergente neutro e esse detergente pode reagir com a cola, fazendo com que esta perca o tack (poder de adesão). Apesar de existir a ilusão de que este processo é mais fácil de posicionar o adesivo, ele oferece uma dificuldade bastante significativa: como o adesivo fica sem aderência na hora da aplicação, é necessário muita habilidade para que ele não ‘corra’ na passagem da espátula e acabe ficando fora do lugar. Além disso, o acabamento do processo demora muito, pois é necessário esperar toda a água que está por baixo secar. Mesmo com o uso de um soprador térmico, esse processo costuma demandar no mínimo três vezes mais tempo do que o envelopamento a seco. Isso sem contar que não temos como garantir que no momento da secagem a cola – que se desplaca na hora da aplicação úmida – se fixe no adesivo novamente de maneira uniforme”, explica Gilberto Pereira Ribeiro Junior, gerente de aplicação da Imprimax.
No entanto, o envelopamento úmido é indicado para vidros planos em áreas externas, que estejam expostos aos raios UV, já que há a dilatação natural do adesivo e a secagem em áreas externas é mais rápida. Além disso, os adesivos transparentes, comumente usados em vidros, são fabricados com cola acrílica, que não reage com o detergente usado no processo. Nesse caso, o aplicador deve formular uma solução de 200 ml de água com 5 gotas de detergente neutro e colocar num borrifador. Após a limpeza do vidro, deve-se borrifar essa solução no mesmo e no material, retirar o liner e posicionar o adesivo no vidro, espatulando sempre do meio para as bordas, para tirar a água e as possíveis bolhas. Depois, é só usar o soprador térmico, também do meio para as pontas, até que o material esteja seco, não esquecendo de observar se as pontas estão não desplacando.
Já o envelopamento a seco é indicado para todos os outros materiais: MDF, eletrodomésticos, veículos, paredes e todo tipo de superfície com curvatura. “Para o caso de envelopamento a seco, há diversos pontos a serem observados antes da aplicação, como por exemplo, a superfície onde este será aplicado. Deve-se fazer a limpeza correta da superfície antes da aplicação, pois poeira e sujeira podem impedir uma aplicação adequada do adesivo”, comenta Alexandre Assis Neves, da Adesivos Paulista.
Os cuidados iniciais envolvem desde a medida correta do local da aplicação – seja ele uma parede, um carro, um móvel ou um eletrodoméstico -, até detalhes técnicos, como se o carro ou eletrodoméstico foi pintado recentemente. “Se o carro foi pintado há pouco tempo e a tinta ainda não houver curado o suficiente, ou se foi usado um verniz de segunda linha, não recomendamos a aplicação, pois as chances do verniz e da tinta desplacarem na hora da remoção ou no caso de um reposicionamento do adesivo são enormes!”, diz Gilberto.
Há ainda a questão da temperatura ambiente, que também influencia na aplicação do adesivo. Em locais com temperaturas abaixo de 22°C, recomenda-se o aquecimento prévio do adesivo, para que este não rasgue no caso de necessidade de reposicionamento, pois o produto fica mais rígido do que o esperado em temperaturas baixas.
O planejamento prévio da aplicação também é fundamental para um bom resultado. Isso implica em medidas minuciosas, respeitando sempre a sangria de 5 cm de cada lado, para a compensação em caso de superfícies com tamanhos desiguais. Em áreas curvas, é necessário aquecer o adesivo com soprador térmico para fazer a moldagem, porém não é recomendável esticar o produto, pois o mesmo pode estriar, os adesivos foscos podem brilhar, além do risco do que chamamos de “memória”, quando o adesivo volta à sua posição inicial, comprometendo todo o trabalho.
Em áreas muito grandes, a aplicação é feita em etapas, sobrepondo uma pequena parte deles, com a aplicação iniciada sempre do lado inverso de quem entra, de maneira que esta sobreposição fique quase invisível.

Sentido correto da aplicação do adesivo

Também é necessário planejar a aplicação em locais mais difíceis, como maçanetas, válvulas de descarga, chuveiros, portas de armários, puxadores, etc. Em alguns lugares, como válvulas de descarga, recomeda-se fazer o recorte, mas para um acabamento mais fino, deve-se tirar puxadores, chuveiro e talvez até algumas portas, dependendo do trabalho. “É fundamental o conhecimento técnico para tomar as melhores decisões na hora do trabalho. Como em qualquer profissão, hoje temos ótimos cursos de aplicadores. Também é necessário conhecer bem as matérias-primas que estão disponíveis no mercado, pois há vinis monoméricos, poliméricos e cast, além de adesivos decorativos, refletivos, entre outros. Conhecer o produto é fundamental para indicar ao seu cliente a melhor opção e garantir um trabalho satisfatório”, explica Alexandre.
O interessante desse processo é também o baixo investimento para entrar no mercado. Além do investimento inicial num curso – que pode ser parcelado – o aplicador necessita apenas de ferramentas simples, como um soprador de 1200 watts, uma espátula de silicone reta, uma espátula de silicone de canto, estilete convencional, lâminas de reposição, trena, prumo e extensão, material que custa em torno de R$ 250,00. Também é recomendável um nível a laser, embora não seja imprescindível para o processo. “O nível a laser facilita bastante, já que ele cria uma linha a laser indicando exatamente onde você deve aplicar o adesivo. Essa é uma ferramenta muito útil em pisos com desnível onde, consequentemente, as paredes também terão desnível. Você também pode usar um prumo para este processo, porém o nível a laser é mais prático e preciso”, explica Gilberto.
Um truque interessante é usar um tecido de helanca ou de seda em um dos lados da espátula, facilitando o deslize da ferramenta pelo adesivo, evitando vincos. Outra dica é manter a lâmina do estilete sempre afiada. O recomendável é quebrá-la a cada 2 metros de adesivo cortado e, no caso de paredes e chão, é necessário quebrá-la a cada metro. Outra observação importante é o tamanho da área a ser aplicada. Em locais com mais de 3 metros de altura ou 10 metros de largura, é altamente recomendável a aplicação por pelo menos duas pessoas.
O negócio de envelopamento pode ser altamente lucrativo. O preço do metro quadrado aplicado, já com a impressão, varia entre R$ 60,00 e R$ 120,00 dependendo da região e complexidade da aplicação. Levando-se em conta o baixo investimento inicial, para quem se especializa e consegue resultados satisfatórios de acabamento, a clientela é praticamente garantida os ganhos podem ser bem atrativos.
Além disso, o adesivo é muito prático para renovação de ambientes, móveis e eletrodomésticos, sendo uma opção rápida, sem sujeira e mais barata do que uma renovação de pintura, por exemplo. Os adesivos também têm a vantagem de serem bactericidas, anti-mofo anti-chamas, além de proporcionarem durabilidade de 5 anos em áreas internas.

Agradecimentos: Adesivos Paulista (www.adesivospaulista.com.br) e Imprimax (www.imprimax.com.br)

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