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Por: Mara de Paula Giacomeli

Com uma bagagem corporativa de 40 anos no ramo serigráfico, Fernando Theodoro se recorda de quando tudo começou.

“Comecei na serigrafia por acaso. Quando eu tinha 14 anos, um tio me levou para ajudá-lo em seu atelier. Na época, ele era letrista, pintava faixas no pincel e também camisetas para alguns eventos, e foi ali que tive meu primeiro contato com a tela de madeira, emulsão, bicromato, rodo e tinta”, relembra.
Passados alguns anos, Fernando foi convidado para trabalhar na Serigraf, empresa serigráfica especializada na confecção de decalcomania, método em que se comprime o material a ser estampado sobre a superfície em que se pretende ter a imagem após umedecer um dos dois.
Foi acumulando experiência, passando por grandes empresas.
“Trabalhei para a Revell/Kikoler, Estrela Brinquedos e Aeromodelismo, lá também foi meu primeiro contato com a fonte de Arco Voltaico, tela com gravação indireta (filmes capilares). Na Manual Serigrafia foi onde vi a confecção de cartões de visita, papel carta, envelope, usávamos também gravação indireta, com o filme Five Star”, comenta Fernando.
Em uma época em que não existia a tecnologia, Fernando utilizava a serigrafia em todas as suas tarefas, não importando o tipo e tamanho do serviço solicitado.
“Na Horses Adesivos Promocionais tive o prazer de cuidar de um laboratório, era responsável pelas telas. Foi onde também pela primeira vez operei uma prensa da Larese e uma fonte de luz da Eletrograf, era responsável por dez impressores, gravávamos telas grandes, imprimíamos adesivo em formato grande para a Fiatallis, Engesa, Mercedes Benz, Embraer, entre outras. Nesta época ainda não existiam as plotters digitais no Brasil, e tudo tinha que ser feito na serigrafia, não importava o tamanho do adesivo. Chegamos a fazer adesivos de dois metros de comprimento que eram colocados em tratores e muitas etiquetas técnicas”, diz.
Em cada empresa que atuava, Fernando absorvia novos conhecimentos, chegando a desenvolver a arte de desenho à mão livre.

“A convite do gerente da Horses, fui trabalhar em uma empresa que confeccionava etiquetas em cetim para serem costuradas em colchões e lá comecei a aprender a desenhar à mão livre com canetas nanquim no percron, papel vegetal importado, e usava muita Letra Set. Logo depois, começou a fotocomposição, fiz muito paste up, antiga montagem de arte-final usada na confecção de fotolito, quem é veterano sabe o que significa. Usei muito e era interessante porque uma arte de um cartão de visita fazíamos até dez vezes maior, depois na hora de fazer o fotolito no ampliador colocávamos no tamanho real, tirávamos o negativo primeiro e depois o positivo, separando as cores, era muito trabalhosa uma arte-final, e um custo alto para o cliente”, explica Fernando.

Foi somente na década de 90 que Fernando começou a usar a tecnologia a fim de acelerar os procedimentos na confecção.
“Em 1992, comprei meu primeiro computador, instalei o CorelDRAW 4 e vi o quanto este programa ia revolucionar o processo para uma arte-final e fotolitos. Atualmente, opero o CorelDRAW X9 e eu mesmo preparo todos os meus arquivos com muita facilidade, talvez o fato de ter desenhado muito à mão tenha me ajudado a não ter muitas dificuldades”, relata.
Como qualquer outro do ramo serigráfico, com a introdução da tecnologia, Fernando chegou a questionar sobre o segmento permanecer estável.
“Ouvi de muitas pessoas que a serigrafia estava com os dias contados com a vinda das digitais. Estavam errados, pois em grande quantidade o custo é muito menor na serigrafia.”
Os anos passam, novas tecnologias de impressão revolucionam o mercado e a serigrafia continua em alta, pois nenhum outro método, técnica ou tecnologia até hoje conseguiu substituir esse processo milenar e quase artesanal. Nada é tão versátil, barato e oferece tanta produtividade quanto a serigrafia.
“A serigrafia evoluiu muito, emulsões, telas, rodos e tintas. Um amigo uma vez me disse que nunca havia visto um processo tão artesanal com uma impressão tão nobre e delicada. Com toda esta caminhada, hoje cuido da minha empresa, ArtLayout, para que a serigrafia continue com a nobreza de sua impressão”, finaliza Fernando.

contato@artlayout.com.br

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