Jornal O Serigráfico

 

 

 

Vantagens e limitações de cada processo

 

É inegável que a impressão digital têxtil veio para ficar e tende a tomar uma fatia cada vez mais significativa do mercado. Mas entre máquinas, tintas, processos e limitações, qual processo escolher para cada situação? Herculano Ferreira, da ArtZone – Arte e Tecnologia nos deu um panorama completo sobre o tema.

Entre os tipos de impressão digital têxtil, temos a impressão sublimática, a de corantes reativos, a de corantes ácidos e a de tintas pigmentadas, cada uma com suas peculiaridades, equipamentos próprios e adequadas a um tipo de situação.

A impressão sublimática é feita com tintas de corantes dispersos e é aplicável nas fibras de poliéster. É a mais simples e barata; por este motivo e por ser uma tecnologia seca, sem uso de água, é a mais difundida em pequenas estamparias e em instalações mais curtas e mais simples, já que o capital necessário é baixo e não demanda tratamento de efluentes.

A impressão com corantes reativos, como o nome diz, utiliza tintas de corantes reativos e é aplicável nas fibras celulósicas (algodão, viscose, rami, linho), mistas de algodão/poliéster, artificiais de celulose recuperada (tencel, lyocel, etc.) e alternativamente as cores diferentes do preto podem imprimir poliamida.

A impressão com corantes ácidos utiliza tintas de corantes ácidos e é aplicável nas fibras de poliamida, seda, lã e outras fibras animais.

Ambos os processos acima demandam instalações muito longas e caras, utilizam preparação complexa, vaporização, lavação, amaciamento e rama. São as de instalações mais caras e que demandam mais espaço, água, tratamento de efluentes e capital.

Já a impressão de tintas pigmentadas, utiliza tintas de pigmentos orgânicos nano dispersados, é aplicável nas fibras celulósicas (algodão, viscose, rami, linho), mistas de algodão/poliéster, artificiais de celulose recuperada (tencel, lyocel, etc.) e alternativamente podem imprimir poliéster e poliamida. É uma estamparia simples e muito mais barata que as estamparias de reativos e ácido. Demanda uso de pouca água e o tratamento de efluentes é menor que o da serigrafia de quadros; é a tecnologia mais acertada para pequenas estamparias, instalações, curtas e simples.  Além disso, o capital necessário é baixo e a fixação é feita nas mesmas polimerizadeiras da serigrafia.

“Todos os processos de impressão digital têxtil podem produzir estampas de qualquer tamanho; o que difere são as instalações e tipos de máquinas e clientes, sendo que na impressão com tintas ácidas e reativas, há equipamentos disponíveis no mercado com largura de até 2 metros e, no caso da impressão com pigmentos e dispersos, há equipamentos de até 3,2 metos, sendo que os processos reativo e ácido são mais dirigidos para estamparia rolo a rolo de moda feminina”, explica Herculano.

Além da escolha correta do processo que mais de adéqua ao perfil do que você pretende fazer, é importante também ficar atento aos investimentos necessários para cada processo. No caso da sublimação, o investimento é de cerca de R$100 mil, mantendo alguma reserva de capital. Para pigmento e disperso impresso direto no tecido o investimento gira em torno de R$700 mil com 1 impressora, alguma reserva de capital e independência de terceiros na preparação e acabamento. Já para o reativo e ácido, o investimento é de no mínimo de R$5 milhões para uma instalação de médio volume com duas impressoras. Mas os processos não exigem apenas o equipamento de impressão digital em si. São necessários equipamentos complementares para realizar cada um deles. Para os processos reativo e ácido são necessários equipamentos de preparação, vaporização, lavadoras, foulard, rama, tratamento de efluentes; para os processos disperso e pigmento direto no tecido são necessários equipamentos de preparação, polimerização e, em alguns casos, lavadora, foulard, rama e pequeno tratamento de efluentes.

“Em termos de fidelidade de cores, os processos digitais já estão bem avançados e conseguem obter escala Pantone na grande maioria dos casos, porém esse resultado depende de diversos fatores, como preparação correta dos tecidos, separação de cores, softwares RIP de excelente manejo e tecnologia, quantidade de cabeças de impressão e cores de tintas (não há chances para menos de 6 cabeças em impressoras dedicadas a impressão de moda), alto expertise de impressão, vaporização e acabamento de lavação. Com tudo isso funcionando muito bem sob o Sistema Pantone Têxtil e 6 cabeças de impressão carregadas com conjunto de cores de CMYK Estendido, atende-se cerca de 70% da escala Pantone. Mas com o novo sistema de Cores Pantone xCMYK de 7 cores o volume deve subir para cerca de 90%. No caso do processo com pigmentos, eles rendem cores mais nítidas e gama aparente mais ampla”, diz Herculano.

Atualmente, a impressão digital têxtil ainda não superou a estamparia tradicional, porém os passos para esta superação são rápidos, já que a serigrafia tradicional rolo a rolo está em queda. “Neste momento a Serigrafia de peças cortadas está estacionada, sem ameaças muito sérias da digital. A popularização da estamparia digital com pigmentos mudará este quadro. A estamparia digital cresce cerca de 20% ao ano. Hoje a serigrafia rolo a rolo deve ter aproximadamente 80% do mercado contra 90% de 5 anos. No mesmo período passado a estamparia digital tinha entre 2,5 a 3% do mercado de estampados rolo a rolo”, comenta Herculano Ferreira.

Entre as vantagens de se adotar a estamparia digital, estão a maior rapidez no desenvolvimento; entregas e reposições mais rápidas; pequenas quantidades a preços mais baixos que estamparia rolo a rolo, meios tons perfeitos e muito mais cores com poucas matrizes de impressão. Ao contrário da serigrafia, na estamparia digital é possível fazer apenas uma peça sem a necessidade de gravação de matrizes e obter variantes de cores e acertos de desenho sem alterações físicas da arte final. “Hoje, o mercado feminino de moda é o mais importante consumidor de tecidos estampados e é atendido por estamparia digital com corantes impressos por sistemas digitais. Já a estamparia com pigmentos é a mais adequada para estampar roupa de cama, mesa e decoração. Porém, na serigrafia tradicional, consegue-se obter um custo mais baixo acima de 100 unidades de camisetas, por exemplo, e outras peças 60×80 cm mais baratas, o que ainda é bastante vantajoso”, comenta.

É importante lembrar ainda que o processo de impressão digital têxtil direta exige o tratamento das peças antes da impressão: “o mais importante para a impressão digital direta no tecido é o tratamento. Sem ele as outras fases não andam”, explica Herculano. Entre os problemas que podem ocorrer durante o processo, ele destaca: “desvios de cores do segundo e demais lotes de produção de uma mesma estampa é um problema muito comum, principalmente com intervalo acima de 3 meses do primeiro lote. A reprodução de cores é mais problemática e a separação ajuda muito no funcionamento correto dos RIPs. Caso não haja exigência de cores mais exatas, isso não é uma questão preocupante, mas quem entregar cores mais corretas aliadas a outras necessidades ligadas ao profissionalismo da estamparia tende a ter mais clientes de moda e de comunicação visual compradores de cores memoriais”.

Sobre o futuro da estamparia, Herculano diz que “é um caminho sem volta, principalmente pela forma que o mercado comprador está tomando – baixos estoques, diversidade e entregas do produto de moda em 1 semana, comunicação visual para ontem… O pigmento irá crescer principalmente por causa da viscose, depois por causa do algodão.  O mercado para esta tecnologia é o de pequenas e médias estamparias e estamparias de tecidos de decoração, cama e mesa. Seguindo o crescimento do poliéster, o corante disperso irá crescer 20% ou mais nos próximos 5 anos”, finaliza.

 

Agradecimentos: ArtZone – Arte & Tecnologia  / Herculano Ferreira / herculano@artzone.com.br   / (85)99601-5001

 

 

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