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O reflexo das ações de consumo na economia tem afetado diretamente o setor gráfico. Com isso, o perfil de compra do consumidor tem sofrido grandes alterações nos últimos anos, com tendências de customização e “gourmetização” dos produtos, inclusive grandes redes varejistas estão se adaptando aos novos perfis de consumo, lançando linhas de produtos com maior valor agregado e menor repetição.
Esse novo perfil de produto e serviço está mudando o produto produzido pelo gráfico, com tendência a grande diversificação de tecnologias para atender as demandas do mercado. As produções estão se diversificando não apenas nas menores quantidades com grande variação de dados, mas na quantidade de substratos que estão sendo usados no mercado.
Existe também um grande aumento de pequenos empreendedores, o que gera diariamente o aumento de produções artesanais criando assim um novo perfil de embalagens, rótulos e impressos promocionais demandados pela impressão digital.

Impressão digital é o produto de uma impressora que tem sua impressão controlada por meios digitais, ou computadorizados. Surgiu quando os sistemas de processamento digitais se tornaram rápidos o suficiente para essa tarefa com um custo que fosse viável economicamente. A impressão pode variar sensivelmente com a tecnologia empregada para entregar o material impresso.
Trata-se de um processo em crescente demanda dentro das gráficas, devido a cada vez maior necessidade de customização dos materiais gráficos, sejam eles embalagens, catálogos, folders, rótulos, etiquetas adesivas e outros.
“O atual momento do mercado, e tendência de alguns anos para cá, é de retração nos processos de repetição da impressão em grandes volumes. Ocorre uma grande diversificação de marcas e produtos no mercado, logo, o consumidor/cliente final tem uma maior variedade de opções similares para escolher, o que necessariamente reflete na produção gráfica, que passa a demandar necessidade de dados variados e pequenas repetições, sendo esses aspectos favoráveis para impressão digital”, comenta Danilo Ribeiro, gerente de Marketing e Produto da Mimaki Brasil.

A impressão digital é indicada quando precisa-se criar um diferencial comparativamente à impressão convencional ― diferencial este que possa ser monetizado a fim de criar uma produção focada cada vez mais em maior valor agregado. Por exemplo, tiragens muito curtas, tempos de entrega menores, efeitos especiais como diversificação e segmentação, layouts variáveis, dados variáveis, entre outros.
“A qualidade de impressão digital depende da tecnologia empregada e equipamentos envolvidos. HP Indigo tem a maior qualidade de impressão entre as diversas tecnologias de impressão digital. Mas da mesma maneira, é difícil comparar a tecnologia convencional porque também há uma grande variação de qualidade. Mesmo quando usando a mesma tecnologia, a impressão convencional também varia grandemente a sua qualidade ― veja como exemplo impressoras usando tecnologia flexográfica, a variação de qualidade entre “low end” e “high end” nesse mesmo segmento é abissal. De qualquer maneira, a tecnologia de impressão digital de HP Indigo vai produzir uma qualidade de impressão tipicamente maior do que suas contrapartes convencionais, uns poucos casos com qualidade similar e raros casos onde pode apresentar algum aspecto de qualidade inferior”, diz Osvaldo Cristo, Pré Vendas América Latina HP Indigo e PWP.
A impressão digital se destaca basicamente por duas vertentes: alta qualidade e impressão de dados variados.
Dentro do que podemos entender por alta qualidade de impressão, se destaca a possibilidade quase ilimitada de reprodução de cores através da composição de CMYK ou outras combinações, sem a necessidade de produção de matrizes de impressão. Esse processo permite encaixe perfeito de cores e repetibilidade de padrões em pequenas e grandes escalas, inclusive com baixos índices de perdas em set up de produção.
Quando se fala em impressão de dados variados, temos que analisar a tendência de “gourmetização” e velocidade a qual novos produtos são lançados no mercado. Dessa forma, é importante entender que a impressão de lotes cada vez menores e com dados variados de produtos completamente diferentes tem aumentado dia a dia. Hoje, o consumidor de cervejas, geleias e outros alimentos que podem ser industrializados ou artesanais busca uma diversificação de sabores de forma que o empresário necessita criar rótulos e embalagens, por exemplo, com diversos tipos diferentes de sabores. Uma indústria de eletroeletrônicos da mesma forma lança produtos com avanços tecnológicos quase que mensalmente, de forma que catálogos, folders, embalagens e outros necessitam de novas informações conforme os lançamentos.
Diante desse cenário, a impressão digital permite a criação de arquivos completamente diferentes uns dos outros, sem qualquer necessidade de custos com matrizes, assim operando em custos mais aceitáveis ao cliente final, bem como com maior agilidade para poder atender esse novo perfil de demanda.

É possível a utilização da impressão digital tanto em baixas quanto em altas demandas.
No caso das pequenas, trata-se de um processo de baixo custo por não precisar da criação de matrizes, bem como pela agilidade de produção.

“Se um cliente precisa de 100 rótulos, ou 200 folders ou qualquer volume baixo, a impressão digital fornece agilidade para produzir e baixo tempo para entregar.
No caso das maiores demandas, a impressão digital é possível quando se agrega dados variados a uma linha específica de produtos. Um exemplo disso são as linhas de cosméticos, na qual uma grande produção está dividida em diversos tipos diferentes de aromas e fragrâncias”, explica Danilo.

O tipo de impressora mais utilizado é jato de tinta e impressora a laser.
“Para embalagens flexíveis, rótulos e etiquetas, a tecnologia mais utilizada em nossa empresa é a HP Indigo em rotativas de alto desempenho. Para outros segmentos de negócios, a HP tem também soluções focadas para alto desempenho nesses segmentos”, diz Osvaldo Cristo, Pré Vendas América Latina HP Indigo e PWP.

Para empresas que optarem por implantar a tecnologia digital em seus sistemas, o mais importante é entender que impressão digital não tem o papel de simplesmente substituir em tudo a impressão convencional.
“Obviamente que pode substituir a impressão convencional em alguns casos, mas o importante é entender e explorar o fato que as possibilidades da tecnologia de impressão digital vão muito além das possibilidades que temos hoje com impressão convencional. Para alguém produzindo com tecnologia convencional desejando adentrar à tecnologia digital de impressão, além de estimar que a produção convencional hoje em dia pode passar para produção digital, é importante ter um plano de negócios focado a explorar no mercado novas oportunidades”, completa Osvaldo.
No aspecto físico, é necessário um ambiente operacional limpo, com temperatura e umidade controladas e corrente elétrica estável.
Ainda, se faz necessária uma estrutura de equipe e pessoal que tenha conhecimento no uso de softwares de gestão de cores e criação de imagens. O desenvolvimento de arquivos de impressão com qualidade é fundamental para um ótimo resultado na impressão digital, pois esse perfil de equipamento reproduz de forma fiel a criação. Faz-se necessário, também, conhecimento na geração de perfis de cores para equalização dos processos digitais com convencionais, bem como conceito de colorometria para geração de cores específicas, aproximadas de uma tabela Pantone.

Atualmente, é possível realizar impressão digital em diversos substratos diferentes e pouco convencionais, inclusive. Através da impressão UV, é possível operar com substratos em rolo ou folhas, sejam eles brancos, coloridos ou, ainda, transparentes. Nos dois últimos casos, coloridos e transparentes, é possível fazer as impressões com uso de tinta branca como calço ou cobertura das impressões.
Especificamente sobre os substratos, é possível impressão em papéis de diversas gramaturas, formatos (rolo ou folhas) e texturas, bem como ondulados e micro-ondulados. Além de papel, é possível impressão em filmes como BOPP, poliéster, vinil, lona e outras bases como tecidos, FOAM, chapas de PS, chapas de PVC, entre outros.

Algumas variáveis devem ser consideradas para o entendimento da possibilidade de impressão em qualquer perfil de substrato usando apenas um equipamento. Dentre elas, é necessário separar materiais que são produzidos em rolo, como BOPP, vinil, lonas e uma série de papéis, dos materiais produzidos em chapas como FOAM, papelão ondulado, PP alveolar e papéis produzidos em folhas (convencionalmente usados em máquinas de impressão offset).
Através de uma impressora que utiliza tecnologia UV LED, é possível que um único tipo de equipamento produza e aceite todas as variáveis acima, porém, pode não ser a melhor solução no que se refere a produtividade e aspectos operacionais, devido à necessidade de trabalho manual nos processos que poderiam ser mais automatizados.
É o caso de se analisar a compra de um equipamento de impressão para materiais planos, sendo que parte dos materiais que serão impressos são fornecidos em rolos. Haverá necessidade de conversão do material para folhas, o que aumentará consideravelmente o operacional dentro da gráfica.

O principal fator que deve nortear a decisão de compra de um equipamento não deve ser o poder de adaptação do equipamento ao gráfico, mas sim, que tipo de produto final o equipamento digital pode produzir e ser vendido pelo gráfico.
Dessa forma, a decisão de compra se deve a algumas expectativas que o gráfico deve analisar:
• Equipamento será complementar aos atuais processos de impressão convencionais?
• Equipamento irá gerar uma nova demanda de serviços gráficos?
• Os atuais clientes do gráfico irão absorver esse novo perfil de impressão ou serão novos clientes?
• O gráfico está preparado estruturalmente para absorver a nova tecnologia?
Existem diversos outros aspectos a serem considerados, mas a impressão digital já é uma realidade e não pode ser desprezada pelo gráfico, uma vez que já é uma tecnologia consolidada e em crescimento dentro do segmento.

O uso de uma tinta específica também é essencial para o bom desempenho da impressão, e é de extrema importância a realização de testes prévios para análise de qualidade, bem como comportamento da tinta no substrato, não apenas com relação à aderência da tinta, mas também a reação da mesma no momento do corte e acabamentos gráficos, como laminação e verniz.
A maior parte dos gráficos convencionais em offset, serigrafia ou flexografia busca alternativas de impressão digital através de impressoras a laser ou que usam tecnologia de uso de tinta UV.
No caso específico da tinta UV, a variável mais importante a ser considerada é a flexibilidade da tinta, uma vez que a maioria dos substratos é flexível e receberá cortes e dobras. É importante identificar a real aplicação final da impressão, pois existem tintas UVs com características para impressão em materiais flexíveis e outras para rígidos.
Importante testar antecipadamente a impressão e acabamento, mas é considerável citar que é possível impressão em qualquer um dos substratos convencionalmente usados pelas gráficas. Ainda, dentro das possibilidades de impressão, vale ressaltar a importância da análise do set de cores, o que pode permitir maior performance e variações de produto final.
Atualmente, o set de tinta mais buscado pelo gráfico é a tradicional cromia (CMYK), somada ao uso das cores branco e verniz. Para ambos, branco e verniz, há possibilidade de impressão localizada, aumentando destaque de partes específicas da impressão, bem como agregando valor ao produto.

Quanto ao custo de impressão digital, é muito convencional o entendimento que é mais vantajoso quando se refere a pequenas demandas de produções, principalmente quando são agregados dados variados ao processo.
“A diferença de custo é tão significativa que diversos empresários chegam a recusar trabalhos que envolvem essas variáveis, mesmo sendo de tradicionais clientes que já possuem em carteira”, revela Danilo.
Mas o que interfere diretamente nessa relação de custos? As principais variáveis a serem analisadas são os custos iniciais do processo, como produção de matrizes, tempo e perda de material/tinta para setup do equipamento, limpeza do equipamento para iniciar um novo job, entre outros fatores que quando diluídos em uma grande demanda, pouco representam nos custos de produção.
Os processos convencionais de impressão, quando analisados em alta produção, apresentam melhor custo operacional e velocidade de impressão se comparado à digital, porém as altas demandas estão cada vez mais escassas e esse cenário atual de mercado, de customização e novos produtos, favorece a impressão digital perante ao processo convencional.

“Com as mudanças de cenários e perfis de trabalhos solicitados aos gráficos, com maior customização e personalização, é importante que o gráfico esteja adaptado e pronto para atender as tradicionais maiores demandas, mas principalmente as crescentes demandas pequenas.
Esses volumes menores de impressão possuem valor agregado e fidelizam clientes, porém demandam estrutura para produção através, principalmente, de equipamentos digitais.
Diante disso, as gráficas que souberem complementar suas linhas de produtos, com processos complementares ou mesmo novos produtos, terão sucesso em aumentar o número de jobs diários, agregando faturamento e maior lucratividade às suas empresas”, finaliza Danilo.
Agradecimentos:
HP
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Mimaki
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mara@oserigrafico.com