Jornal O Serigráfico

O mercado gráfico, composto em sua maioria por micro e pequenas empresas, movimenta anualmente mais de 40 bilhões de reais.
O setor de produção que mais contribui neste montante é o de embalagens, alcançando quase 50%, seguido pelas publicações de livros, revistas, manuais e apostilas, que abrangem pouco mais de 20%.
Apesar da crise financeira a que o Brasil foi submetido, ainda foi possível lucrar com este comércio, e estes números não param de crescer.
Este desenvolvimento traz à tona uma questão crucial de tomada de decisões: investir em máquinas gráficas convencionais ou nas digitais?
Analisemos, portanto, o contexto passado e o atual.
Não temos no momento grandes volumes de negócios. As tiragens diminuíram e os equipamentos mudaram de performance, levando o empresário a repensar seu parque gráfico.
Os grandes complexos industriais estão mudando o perfil, procurando parcerias e se estruturando, introduzindo equipamentos digitais.
A tecnologia digital foi se aprimorando e evoluindo com o tempo, produzindo em alta velocidade e muita qualidade. A demanda por impressos cada vez mais personalizados também fez com que esta tecnologia ganhasse espaço dentro das gráficas, além de sua capacidade de produzir em baixas tiragens com muita rapidez para atender os prazos de entrega cada vez mais curtos.
Houve uma mudança no ponto de vista empresarial, onde temos pequenas gráficas com equipamentos digitais, oferecendo rapidez e qualidade, independente do lote de trabalho, obedecendo às limitações quanto aos formatos oferecidos por estes equipamentos — o que nos leva a não abrir mão das gráficas convencionais — e as gráficas grandes seguem se abastecendo conforme a demanda do mercado.

Com tamanho desenvolvimento, ainda temos espaço para o crescimento do mercado analógico?
Segundo Ismael Guarnelli, diretor da APS Marketing de Eventos, os dois setores se somam e é necessário estar acessível a aceitar inovações.
“Quando falamos de uma gráfica convencional, temos certeza que ter equipamento digital pode abrir novos horizontes. São tecnologias aliadas e parceiras. Cada uma com suas características e demandas. O empresário moderno precisa estar aberto a conhecer novos equipamentos e novas aplicações, para assim melhorar suas margens de lucro. Estar aberto também a conhecer outras soluções, como equipamentos para acabamento, substratos diferentes e softwares de gestão e de otimização do fluxo de trabalho. Tudo isso pode transformar uma gráfica convencional. É preciso ter total consciência de seus custos, pleno conhecimento da capacidade de seus equipamentos, apostar em softwares que organizam a sua empresa e buscar muito informação. Esta é a fórmula para melhorar os resultado de uma gráfica” — orienta.

A impressão digital não é uma tecnologia que surgiu para substituir o convencional, e sim para agregar, para trazer mais possibilidades e melhores margens de lucros em determinados trabalhos. O empresário precisa estar munido de informações para saber que ambas têm suas características positivas.

Agradecimentos:
Printi www.printi.com.br
APS Marketing de eventos www.apsmarketing.com.br

Já para o cliente que vai solicitar serviço gráfico, segue um comparativo entre os dois sistemas:

O sistema convencional, também chamado offset, surgiu na segunda metade do século XX e é caracterizado por ser um processo indireto. Faz uso de matrizes a partir de chapas de alumínio que servem como meio de gravação e transferência da imagem para o substrato. As cores CMYK são impressas uma a uma e formam as imagens por adição da pigmentação das cores. Possibilita a impressão em diversos substratos e gramaturas, do papel ao poliestireno.
Já no sistema de impressão digital, não há interposto entre o substrato e a tinta. Em alguns equipamentos, as cores são impressas de uma única vez e de forma direta, eliminando grande parte do processo usado na convencional. Desta forma, o custo gerado com acertos da máquina é reduzido, tornando também a possibilidade de impressão de apenas uma ou poucas unidades.
Ambos os métodos de impressão são significativos e cada um aponta vantagens distintas. O que vai definir a escolha é o perfil do seu projeto.

*Tiragem: Para impressões em grande tiragem, a impressão convencional é a melhor opção. Já nas pequenas tiragens ou impressão única, indica-se a impressão digital.

*Quando há a necessidade de uma cor específica da escala de cores Pantone: Indica-se a convencional, onde permite-se também o uso de tintas especiais, inclusive metálicas e fluorescentes.

*Prazo: Se há um prazo curto, a impressão digital é a solução adequada.
Já se o pedido está sendo feito com uma folga de tempo, há a possibilidade de considerar ser feito na convencional .

*Custo: Na convencional o custo é fixo, independente da tiragem, pois este está relacionado aos fotolitos, montagens, chapa, gravação, revelação da chapa, entre outros.
Na digital, há a possibilidade de quanto maior a tiragem, haver descontos gradativos.

*Estética:
Na impressão digital a tinta é aplicada sobre o papel e, devido a isso, aparenta uma maior saturação, se considerado o mesmo substrato.
Em alguns casos, há ainda a aplicação de silicone, que realça ainda mais o brilho da impressão.
Na impressão convencional, a tinta, composta por óleo mineral, pigmentos e aditivos, penetra no substrato, mas por esta necessitar um equilíbrio com a água, perde um pouco seu brilho e, com isto, a saturação.

Por: Mara de Paula Giacomeli
Jornalista e editora do Jornal O Serigráfico

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