Jornal O Serigráfico

*Thomaz Caspary

 

O que é a indústria 4.0 para você? Esqueça todas as ideias pré-concebidas relacionadas a algo cibernético e muito distante da realidade atual. O termo que vem sendo adotado em alguns lugares do mundo trata da nova revolução industrial. Estamos falando aqui de uma nova lógica de produção que nasceu na Alemanha, em 2011, e deu início ao processo de digitalização da operação industrial. A união do conceito de internet das coisas com a automatização industrial gera inteligência à manufatura e um universo de possibilidades para diferentes fabricantes. Máquinas interconectadas conversam e trocam comandos entre si, armazenam dados na nuvem, identificam defeitos e fazem correções sem precisar de ajuda.

O Brasil ainda não está preparado para implantar a indústria 4.0, embora muitas indústrias brasileiras já tenham automatizado seus processos, mas ainda não alcançamos a manufatura digital. O Brasil precisa ainda andar muito nesses dois sentidos. Temos poucos setores competitivos em escala global.

O desafio é grande para alcançar o potencial tecnológico exigido pela indústria 4.0, onde investir em inovação e em educação é uma das principais formas de reverter o cenário brasileiro, até mesmo para aumentar a compreensão do que é digitalização. Já existem instituições, empresas e universidades trabalhando em torno da indústria 4.0. Mas o movimento ainda está disperso. Em função disso, não temos condições de criar uma indústria “verde e amarela”, ou seja, adaptada às condições econômicas e tecnológicas nacionais. A partir do momento que passarmos para o “jeitinho brasileiro” estaremos longe da realidade de uma indústria 4.0 e, portanto perdendo em competitividade.

Não vejo a curto ou médio prazo a implantação da gráfica 4.0 no Brasil, fundamentalmente por se tratarem de empresas familiares com culturas bastante “engessadas” em função da educação empresarial e, principalmente, das condições a médio e longo prazo da situação de nossa economia, arrasada nestes últimos anos.

Não tenho como afirmar se a indústria gráfica terá nos próximos 10 a 15 anos condições de se apresentar como Gráfica 4.0 sendo que não imagino esta nova cultura tecnológica plenamente adotada nesta e na próxima geração de empresários gráficos, a não ser multinacionais que eventualmente invistam no Brasil neste sentido. As mudanças profissionais de operadores quando de uma possível implantação deste modelo de automação fabril, deverá ser total, exigindo dos profissionais pleno conhecimento da tecnologia gráfica, aliada à informática e sem dúvida alguma com a necessidade do conhecimento de mais um idioma.

Não existem planos para a formação deste novo operador de sistema 4.0 e fica bastante complexo em pouco espaço, dissertar sobre algum conteúdo programático de ensino. Não creio que no momento existam gráficas brasileiras interessadas em investir nesta transformação tecnológica. Portanto, não conhecemos nenhuma gráfica no mundo que esteja funcionando no esquema 4.0. Existem, porém, outras indústrias no Brasil que estão gradativamente implantando sistemas 4.0 não chegando ainda à total produção integrada por meios digitais. Entre elas temos a AMBEV e algumas empresas montadoras de veículos.

 

* Thomaz Caspary é Consultor de empresas gráficas e diretor da Printconsult Ltda. – (11) 3167-6939 – tcaspary@uol.com.brwww.printconsult.com.br

 

 

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