Jornal O Serigráfico

Quando em junho de 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 5 de junho para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, o objetivo principal era para alertar toda a população do Planeta Terra sobre a importância da preservação dos recursos naturais que, por estudos, constatou-se que são findáveis. Um dia para conscientização e reflexão.
Quarenta e seis anos após o dia ter ser instituído, vemos e ouvimos muito mais informações, porém os seres humanos não conseguem chegar a um denominador comum para agir e se conscientizar dentro de um sistema global e em sua maioria num regime econômico capitalista, onde os grandes interesses se consolidam em benefício de poucos. Embora os princípios para orientar a política ambiental em todo o planeta tenham sido estabelecidos, reformulados e atualizados com as mudanças do mundo pelos anos sucedidos, afirmamos hoje que muitos dos problemas não foram resolvidos, e ainda estamos criando mais…
Aqui, no Brasil, a cada governo que entra pelas novas eleições, vemos a diferença: avanços e retrocessos, mandos e desmandos sobre os órgãos ambientais, legislação e uma falta de comunicação entre os Estados para unificar um país com características próprias, diversas, dentro de uma geografia continental. Como conciliar e controlar mais de 100 milhões de hectares de Unidades de Conservação e a conservação de outros mais de 100 milhões de terras indígenas? Como cuidar que nossas empresas sejam fiscalizadas para que não haja vazamentos como os da cidade de Mariana, considerado o maior desastre ambiental do país? Como não ver a falta de saneamento básico em todo o país e desenvolver planos para despoluição de nossos rios e afluentes que nunca serão um sucesso se nada for feito? Como querer que isso aconteça, se a população não tem educação ambiental e consciência para entender que temos que cuidar do lixo que geramos e não dispô-lo em qualquer lugar? Como desprezar as populações que vivem dos lixões a céu aberto em todo o país?
Temos que resgatar a dignidade do cidadão, a satisfação do servidor público e as ações acontecerem de uma forma eficaz e eficiente, sem ter que esperar meses ou anos, por exemplo, para uma licença ambiental de uma empresa ou o descaso de áreas que deveriam ser preservadas e que estão sendo devastadas por empresas que têm interesses unicamente financeiros. Além das terras indígenas e todo um patrimônio histórico que está se perdendo pelo descaso e falta de interesse das políticas públicas.
O próprio termo “sustentabilidade” tem se perdido nos últimos anos, por não ter o conceito bem aplicado pelas empresas e poder público. Devemos ter consciência para sermos sustentáveis. São mudanças diretas e temos que sair de “áreas de conforto”, ou seja, por vezes, abdicar de algumas regalias e refazer conceitos de tempo e uso de sua vida para, realmente, obter um benefício ou tornar algo sustentável. Temos que, cada vez mais, fazer mais com menos e entender que a busca é ser criativo, ter respeito e tornar-se simples. Precisamos de mais disciplina e sempre agir em função do bem comum. Talvez, assim, possamos entender por que o Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído. Esse é o único dia que nós é quem ganhamos o presente. O presente de poder respirar, beber água potável, alimentar-se sem agrotóxicos e ganhar saúde e vida. Acordar pela manhã com o canto dos pássaros, poder sentir o aroma das flores, comer as frutas direto das árvores e hortaliças da terra, ver os rios, ver o mar, ver os campos, o cerrado, a caatinga e serras e montanhas, enfim, olhar para os nossos biomas. Não temos o direito de quebrar essa cadeia da vida. Tenha consciência do dia 5 de Junho e comemore todos os dias do ano. Acredite no seu esforço!

Silvia Regina Linberger dos Anjos
www.maqtinpel.com.br

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