Jornal O Serigráfico

Por Carlos Vargas Neto e Eng. Cássio Rodrigues

No mês passado, nós da Supplytech, nos deparamos com um problema interessante – bom, pelo menos foi interessante para nós, porque para o cliente gerou certo prejuízo. Devido a um problema com cores e definição de imagem, fomos chamados em uma empresa que fornece tecidos sublimados em rolo. O cliente estava reclamando que não conseguia mais chegar à qualidade do produto que havia entregue em uma partida há 6 meses atrás; não estava conseguindo achar a fonte do problema e isto o estava deixando em sérios apuros, pois havia recebido como devolução o quarto lote de 5000 metros de tecido sublimado.

Nós possuímos uma metodologia científica para avaliação de problemas e logo colocamos em prática: como temos uma lista extensa de variáveis no processo de sublimação, recorremos aos registros do cliente (criar registros tinha sido nosso último trabalho na empresa), e verificamos uma alteração que pareceu insignificante em uma primeira análise pelo cliente: a troca de papel. Digo insignificante para o cliente porque a troca foi realizada segundo um critério bem simples: a variação de preço era muito pequena e o segundo fornecedor garantiu que o papel era de resultado semelhante. Aparentemente os testes foram realizados e o papel inicialmente aprovado.

Curiosamente, alguns desenhos que o cliente imprimiu não apresentaram problemas, talvez pela estampa ou pelas cores, talvez porque o cliente era novo e tanto a amostra e o produto final usaram o mesmo papel, mas o fato foi que o cliente antigo voltou e quis o mesmo resultado. Foi aí que as coisas complicaram… O segundo papel mostrou o que chamamos de “ganho de ponto” e também uma maior retenção de tinta durante o processo de sublimação, causando uma variação nas cores produzidas no tecido final.

A figura 1 mostra a mesma imagem impressa em três diferentes papéis, porém com todas as outras variáveis iguais (tinta sublimática original Epson em impressora Epson F7070, sob mesmas CNTP, mesmo computador e mesmo RIP). Notem a perda de definição da letra, que possui 2mm de altura e 4mm de largura, comparando as imagens da esquerda (papel “melhor”), centro e direita (papel “pior”).

Fig. 1: Três impressões, apenas trocando o papel (7X)

Fig. 1: Três impressões, apenas trocando o papel (7X)

A Figura 2 mostra a qualidade da transferência dos três papéis oriundos da figura 1, com as mesmas condições de temperatura e prensa e mesmo tecido. Notem que as letras perdem definição, indo da esquerda para a direita. Neste caso nós nem aprofundamos as diferenças de cor, o que pode vir a ser tema de uma próxima edição.

Fig. 2: Transferências em tecido, oriundas de 3 papéis diferentes

Fig. 2: Transferências em tecido, oriundas de 3 papéis diferentes

Sem entrar muito em detalhes, os papéis ditos “tratados”, possuem uma fina camada de uma resina especial, que promove a máxima entrega de corante durante o processo de aquecimento, liberando quase a totalidade de corantes para o tecido. O papel que nosso cliente usou como substituição, embora de boa qualidade e contendo tratamento, reage de forma um pouco diferente do que o papel anteriormente usado pelo cliente, e, quando confrontado com a partida anterior, apresentou a diferença que a confecção notou, rejeitando os cinco mil metros e causando um prejuízo de dezenas de milhares de reais para o nosso cliente. Isto sem contar que o revendedor de papel sequer comentou sobre a necessidade de se refazer o perfil de cores, uma vez que o espaço de cores foi alterado.

Por sorte nós agimos a tempo, refazendo os perfis de cores para o novo papel e a nova combinação de cores, e o cliente pôde recuperar o prejuízo em pouco tempo. Sorte para ele, mas e você, será que está com suas variáveis do processo bem definidas? Será que não precisa rever os perfis de cores? Será que seu fornecedor está te ajudando? Por fim, pense que qualidade é pelo menos aquilo que seu cliente está esperando, e é uma somatória de vários fatores. Gostaria de deixar claro aos leitores que, dependendo dos desenhos, tal diferença se torna irrelevante, porém o objetivo com estas fotos é mostrar que diferenças existem, e dependendo da qualidade esperada por seu cliente, ela será ou não notada. Precisando de ajuda, sabem onde encontrar. Até o próximo mês com mais dicas da Supplytech.

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