Jornal O Serigráfico

A melhor qualidade de cerveja está relacionada com a boa fonte de água que abastece a cervejaria para que seja acrescentada à fermentação da mistura do lúpulo, do malte, feito de cevada, e alguns aromas especiais. Isso acontece desde 4000 a.C., quando o homem aprendeu a fazer cerveja e, hoje, a apreciar boas cervejas artesanais.
O que cerveja tem a ver com a sustentabilidade?
A poluição das águas é fator determinante nesse assunto. Temos que analisar a toxicidade da água para herbicidas (agrotóxicos), hormônios (remédios) e outras substâncias, como metais (atividades de extração e processos industriais) e constatar sua pureza e potabilidade. Ou seja, ao longo dos anos, a natureza se modifica ao que o homem vem impondo sobre os cursos d’água, reservatórios e aquíferos. Como nosso planeta é um sistema fechado, aqui as substâncias se aglomeram, juntam ou se transformam, na maioria em resultados desconhecidos. Como as verbas para pesquisas nesse atual governo brasileiro também estão escassas, precisamos de forças da população junto aos políticos para ampliar as leis referentes ao uso de agrotóxicos, frente a uma bancada ruralista grande e a favor desse mercado bilionário de venda de venenos agrícolas.
Aqui no Brasil, a água potável tem cinco (5) mil vezes mais resíduos de glifosato do que na União Europeia. Glifosato é um herbicida sistêmico (entra no sistema da planta, não é superficial) e é o agrotóxico mais vendido no país, conhecido como Round-Up® e, também, o mais proibido no mundo. Na Europa, a dosagem máxima permitida é de 0,1 micrograma por litro. No Brasil, a legislação permite 500 microgramas de agrotóxico na água potável, cinco mil vezes mais, como mencionado acima.
O Instituto Nacional do Câncer, o Conselho Nacional de Saúde, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, a Anvisa, o Ibama, o Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, a Fiocruz, a Defensoria Pública da União, outras 320 organizações da sociedade civil e mais de um milhão e meio de assinaturas já coletadas (http://www.chegadeagrotoxicos.org.br)
são todos contra a liberação de venenos e explicam os riscos para nossos políticos, que parecem não saber ler ou pensar no futuro do país.
Vários estudos alertam para os riscos à saúde da população como a possível causa de diversos tipos de câncer e problemas genéticos aos seres humanos causados pelas suas variações. Os riscos ao meio ambiente são a contaminação das águas até chegar ao lençol freático, além da contaminação do solo, como alteração do equilíbrio da microfauna, reduzindo a atividade de bactérias que fixam nitrogênio, nutriente essencial para as plantas. E esse fenômemo é chamado espiral química, porque as plantas, se tornando mais suscetíveis a doenças, serão necessários mais e outros tipos de agrotóxicos para combater as pragas e, assim, um número maior de agrotóxicos estaremos consumindo.
É certo que ao beber cerveja estaremos ingerindo agrotóxicos em escala nano, porque a temperatura acaba eliminando as suas estruturas, contudo o Brasil continuará com o problema dos agrotóxicos nos alimentos in natura e na água, portanto, pense e vamos ser a força que o Plano Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRa) precisa, com uma legislação mais coerente e rígida, em prol da melhoria de nossa saúde e do meio ambiente e a favor do decreto alimentar criado em 1516 pelo duque da Baviera (um estado alemão), a Reinheitsgebot, a Lei de Pureza da Cerveja. Muitas fábricas de cerveja, principalmente da Alemanha e da Bélgica, seguem à risca esse decreto sobre os ingredientes básicos (cevada, lúpulo e água), que devem ser puríssimos, por isso a qualidade das cervejas da Alemanha serem melhores!
A sustentabilidade é que gera qualidade e que lidera o mercado até hoje.
A água também pode atuar em seu processo produtivo. Pense em seus produtos e no que pode melhorar para atingir essa excelência alemã.

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