Jornal O Serigráfico

veteranoRicardo Cafarro Sutto, 48, praticamente nasceu na serigrafia. “Meu pai tinha um time de futebol, o Águias do Bosque Futebol Clube, desde que eu era bem pequeno e, por falta de verba para mandar fazer os uniformes fora, ele mesmo aprendeu a serigrafar as camisas e constantemente tinha alguém do time lá em casa junto com ele fazendo serigrafia. Esse contato com a técnica, pra mim, veio desde muito cedo”, comenta.

Mas mesmo convivendo com a serigrafia, Ricardo resolveu trilhar outros caminhos e acabou indo parar na arte administrativa da Bozzano. “Com 14 anos comecei a trabalhar no administrativo da área comercial da Bozzano. Aos poucos fui me interessando por vendas e 4 anos depois, saí de lá como Promotor de Vendas”, relembra. A veia comercial se aflorou e Ricardo foi trabalhar na Santa Efigênia, conhecida região de Sâo Paulo especializada em eletro-eletrônicos e similares. De lá, foi para seu primeiro emprego efetivamente na área gráfica, na Guinza Papéis. “Eu fui vendedor de papéis gráficos na Guinza por 5 ou 6 anos e foi lá que aprendi um pouco sobre esse mercado. Paralelamente, um amigo que fazia silk me chamou para ajudá-lo com umas peças e, como eu já tinha tido contato com a serigrafia por causa do meu pai, comecei a ajudá-lo à noite e aos finais de semana, serigrafando peças têxteis, sacolas plásticas, chaveiros e alguns brindes. Nossas primeiras mesas de impressão foram feitas por nós mesmos, a primeira montamos um caixa de madeira , furamos toda a parte da tampa e adaptamos um aspirador de pó para fazer a sucção na tampa; a segunda pegamos um exaustor de cozinha (Suggar) que uma vizinha ia jogar fora , arrumamos e fizemos a tampa em madeira perfurada. Deu tão certo que depois de algum tempo esse amigo resolveu parar e eu continuei o negócio, até que em 93 um cliente, que tinha uma tipografia, me chamou para uma sociedade. Foi aí que saí da Guinza e passei a me dedicar à serigrafia”.

Com o tempo, a gráfica focou suas atividades em adesivos de vinil e papelaria, especialidades de Ricardo. Em 99, a sociedade se desfez e o empresário resolveu seguir adiante sozinho, dessa vez com a Sutto Serigrafia. “Dividimos os clientes e um deles para quem fornecíamos etiquetas de troca de óleo ficou comigo. Acabei me especializando nisso, mas quando esse cliente quebrou, precisei buscar novos mercados e resolvi começar a prestar serviços para empresas especializadas em convites e papelaria em geral. Foi dando tão certo que hoje somos especializados nesse segmento e em gravuras. Em 2007 também adquirimos a Caixas & Ideias, que era de uma cliente para quem prestávamos serviço. Ela se aposentou e ia parar a empresa, aí compramos e continuamos o negócio”, explica.

Nessa trajetória, Ricardo encontrou muita gente que o ajudou a melhorar cada dia mais a qualidade de seus serviços. “Eu sou autodidata, mas recebi muita informação relevante de gente do mercado. O Eder, da Triângulo, foi um deles. Também fiz um curso de serigrafia no SENAI para me aprimorar e um outro com o Hajime Otsuka, que foi de suma importância para aprimorar a serigrafia em relevo. Outra pessoa muito importante durante todos esses anos, foi a Gisele Abranches, que foi professora do SENAI, além do Sr. Helio Bianchini, da Agabê, com quem temos uma parceria muito produtiva e de onde recebo total assessoria. Também tenho que agradecer à Valvoline Lubrificantes, que foi o cliente que me deu o pontapé inicial”.
Evidentemente, em mais de 20 anos de serigrafia, curiosidades não faltam na carreira de Ricardo. “Uma das coisas mais bacanas que fizemos foram algumas gravuras impressas com óleo lubrificante usado, numa campanha da Shell, criada pela agência J. Walter Thompson. A ideia era chamar a atenção para a possibilidade da reciclagem do óleo lubrificante usado e então usamos um óleo bem sujo no lugar da tinta. Fiquei alguns dias num posto de gasolina serigrafando as gravuras para quem fizesse a troca de óleo. Além de super interessante e inusitado, o trabalho ficou lindo e foi inscrito em Cannes. Outra experiência inusitada que fizemos foi a reprodução de uma ‘tinta’ ecológica que eu tinha visto um cara do Rio fazendo. Eu sempre recebo alunos de faculdade aqui na gráfica e uma vez a Denise Tangerino, professora de artes gráficas da Faculdade de Belas Artes trouxe todos os alunos de duas turmas para conhecerem a gráfica e eu quis reproduzir essa experiência. Misturei amido de milho com coloral e serigrafei um desenho para mostrar que é possível, que a serigrafia é versátil, que mesmo quando não se tem recursos, é possível imprimir”, conta.

Sobre sua trajetória, Ricardo destaca que conseguiu grandes amigos no mercado e teve toda a ajuda e assessoria que precisou para se aprimorar e se especializar na serigrafia. “Mesmo meus concorrentes, são meus amigos. Nossos clientes nos consideram uma referência de mercado e, desde 2007, quando começamos a nos inscrever em prêmios da categoria, todos os anos estamos entre os cinco finalistas, muitas vezes com dois trabalhos. Em 2007, vencemos a categoria Serigrafia do Prêmio Fernando Pini e também do Prêmio Theobaldo de Nigris, que vencemos novamente esse ano. Também temos dois trabalhos no livro ‘PrintedSamples& Me 2013’, portfólio da ArjowiggingsCreativePaper. Esse ano temos também um trabalho na Exposição Pop UpExhibitors, da mesma marca. E todo esse know how devemos ao próprio mercado, às pessoas que sempre me ajudaram e me proporcionaram conhecimento”, finaliza.

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