Jornal O Serigráfico

Carlos Vargas Neto e Eng. Cássio Rodrigues

O advento da Internet e redes sociais criou uma facilidade de comunicação inédita e interessante; na maioria dos casos, porque nos conecta quase que instantaneamente com o mundo e com diferentes formas de se resolver problemas, sejam eles cotidianos, sejam muito específicos.
Eu costumo dizer que o “Oráculo” (Google®), quando perguntado sobre qualquer assunto, lhe responde instantaneamente com dezenas de possibilidades de solução do problema que estamos enfrentando, e com a manutenção de impressoras não é diferente. Basta digitar “trocar damper” e você receberá mais de 29 mil resultados contendo passo a passo e vídeos sobre como trocar um damper. Fácil, não? O problema é que o procedimento, realizado por pessoal não capacitado, pode prejudicar imensamente um equipamento de dezenas de milhares de reais, além de provocar despesas extras quase que inimagináveis, exigindo desde a intervenção de um segundo profissional, até perda de produção e prejuízos pelos dias de atraso no seu negócio. Ah, incluir “como trocar cabeça de impressão” no oráculo nos traz mais de 500 mil resultados.
Não estou aqui criticando tais vídeos ou quem os posta, até porque as intenções por trás destas postagens podem ser as melhores (lembrando que o inferno está cheio de boas intenções), porém abre precedentes muito arriscados para os curiosos de toda sorte tentarem estes procedimentos sem qualquer critério.
Tomando simplesmente o exemplo que citei acima – a troca do damper -, se esta singela e barata peça não for bem instalada, podem ocorrer minúsculos vazamentos de tinta, imperceptíveis em um primeiro momento, mas que vai se agravando com o uso da máquina, causando curto-circuito na própria cabeça de impressão, aumentando exponencialmente os custos – cabeça, conjunto de cabos e placas.
Entendo que a necessidade, a urgência e os custos forçam em alguns casos os donos de máquinas tentarem soluções caseiras para o conserto de suas máquinas, porém nós não fuçamos nos motores dos nossos carros quando há algum tipo de defeito – os mandamos consertar em oficinas especializadas – e porque não o fazer com nossas impressoras, quando cada cabeça de impressão pode custar o valor de um carro zero km? Nós também não fazemos com as próprias mãos um muro de arrimo, mesmo sabendo como fazer, ou vendo vídeos da internet (121 mil resultados, segundo o oráculo) – contratamos especialistas para erguer um.
Novamente aqui eu não questiono estes vídeos ou passo a passo; apenas, como um profissional com mais de duas décadas de experiência, e que já viveu dezenas de situações semelhantes de resolver problemas em máquinas que curiosos colocaram as mãos, alerto aos donos de máquinas: procurem um profissional.
Nestas duas décadas, como tantos outros colegas de profissão, forjei meu conhecimento mesclando teoria, livros, prática, observação, ciência e metodologia, mas acima de tudo, cautela. Algo que peço aos donos de equipamentos: cautela – ou o “de graça” pode sair muito caro.

Comente: