Jornal O Serigráfico


Sabemos que a política rege as nações, assim como nas empresas, o dono é quem direciona os caminhos do sucesso ou insucessos de seus negócios. Mudanças são trilhadas por motivações, inovações, conhecimentos e investimentos. Precisamos de todas essas combinações e ter a análise de como está caminhando o mundo para atingirmos um bom futuro.
Recentemente, um artigo publicado na revista “Nature Climate Change”, que foi escrito em dezembro de 2017, assinado por dez cientistas brasileiros, mostrou um estudo sobre cenários possíveis do recuo ambiental que nosso país alcançará por já ter aumentado o desmatamento desde 2016 até agora, em troca de apoio político, favorecendo a forte bancada ruralista do Congresso. Esse estudo revela que tal aumento de desmatamento pode custar quase cinco trilhões de dólares até 2050 para os cofres públicos. Em compensação, o nosso Produto Interno Bruto (PIB) mais que dobrou com a fatia do agronegócio que era de quase 6% em 2016 até os dias atuais. Bom para um lado e péssimo para o mundo, pois a pecuária que avança nos estados do Pará, Mato Grosso e Tocantins não está dentro das boas práticas e condições socioambientais para a sua produção e o avanço da agricultura também não favorece o uso da terra e o entorno social. A governança ambiental ficou comprometida com as mensagens dadas na revisão do Código Florestal e a barganha no Congresso. Ao diminuir as exigências para o licenciamento ambiental na atividade, suspender demarcação de terras indígenas, beneficiando e facilitando a entrada de grileiros nas áreas desmatadas ilegalmente, sem fiscalização e punições adequadas, o nosso atual presidente da República incentivou o desmatamento de forma explícita.
Além do aumento das emissões dos gases do efeito estufa (GEE), por tal ação tomada, ainda não cumpriremos a meta do Acordo de Paris, assumido em compromisso na Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP 21), cujo objetivo global está em manter o aumento da temperatura no planeta em 2ºC.
Isso terá um custo para o país, pois terá que comprar créditos no mundo para compensar sua excessiva emissão pelo desmatamento e pelo próprio tipo de produção do agronegócio. Claro que isso não é para agora, mas até 2025, quando deveríamos reduzir as emissões do GEE em 37% em relação aos níveis de 2005, teremos uma conta que nem sabemos o valor, e esperamos que essas exportações do gado para o mundo acrescentem bastante às reservas financeiras do governo. Será que ainda vale a pena ter dinheiro se não teremos ar, alimentos ou água potável para vivermos por causa das mudanças climáticas? Uma atitude errada só para poder continuar no governo, no poder.
O mundo está mudando. As novas gerações já não querem ter, preferem compartilhar para viver. O poder é forte e não ouve o sonho dos homens. Os homens só querem ter uma moradia, uma escola, um médico, água tratada, esgoto tratado… Afinal já pagamos impostos e continuamos a pagá-los para isso. Fazemos uma nação, mas queremos que nos representem bem e não que nos iludam. Eleições estão chegando e é hora de olharmos e conhecermos os candidatos que elegeremos. Depende de nós a melhoria da nação. O mundo está preocupado com a sustentabilidade do planeta e temos que ter políticos alinhados com essa onda. Nossos negócios também dependerão disso. Teremos novos sonhos para andar nos caminhos do mundo. Para reflexão, deixo um trecho de Cecília Meireles, escritora e poetisa de grande expressão:

“Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.”
(Cecília Meireles)

Silvia Regina Linberger dos Anjos
www.maqtinpel.com.br

Comente: