0 Comments

O universo da estamparia têxtil localizada vem ganhando cada vez mais complexidade, e por isso é muito comum nos depararmos com situações problemáticas na impressão que podem causar prejuízos e muita dor de cabeça. Sem dúvida, a principal causa destes problemas é a falta de informação.
No mundo globalizado de hoje, os processos de produção vêm ganhando elementos inovadores, com o objetivo de atender o mercado de forma mais rápida, eclética e eficiente. Para atender este mercado tão dinâmico, o profissional de estamparia precisa estar bem preparado, bem informado e em sintonia com as inovações que a indústria tem se esforçado em desenvolver.
O conhecimento das características dos tecidos usados na confecção de vestuário torna-se um ponto fundamental no desenvolvimento do trabalho de estamparia.
Aqui pode ser destacada a infinidade de fibras naturais e sintéticas usadas na fabricação desses tecidos, além dos tratamentos que os diferenciam e lhes dão maior versatilidade em termos de utilização. Consequentemente, passam a exigir cuidados especiais e específicos.
O preparo técnico e o conhecimento teórico, juntos, são remédios preventivos contra o retrabalho, e responsáveis em conferir previsibilidade a alguns problemas na produção. Na ausência destes, aparecem os problemas de impressão, e com eles o prejuízo se contabiliza.
Vejamos um exemplo:
Para um trabalho de alguns milhares de camisetas, em malha sintética, com estampa na frente, nas costas e na manga, com bandeira de 6 cores para combinar 3 cores:
1. Ajuste da combinação de cores com cada cor de tecido
2. Configuração das matrizes
3. Estampa nas amostras
4. Aprovação do cliente
5. Produção
6. Estampa de cores em sequência usando flash cure
7. Matriz de qualidade
8. Entrega ao cliente
Depois de produzir e entregar milhares de peças, acredita-se que o trabalho foi resolvido e bem-sucedido. Porém, depois de algumas horas, chegam as reclamações: “A tinta está soltando ao atrito, e ao lavar piora”.
O cliente está cobrando a reposição das peças e reembolso integral das peças perdidas. Agora ficam as dúvidas do que ocorreu.
Pode ter sido a tinta inadequada para este tipo de tecido?
Pode ter sido o processo errado, prejudicando o resultado?
Pode ter sido a manipulação errada da tinta, quebrando sua formulação?
Pode ter sido uma tinta de má qualidade?

Ao final, a conclusão foi que o problema estava no substrato têxtil, que como mencionado anteriormente, precisa de uma atenção especial, pois é complexo e requer um manuseio próprio.
Além de diversos tratamentos no fio, existem também outros tratamentos realizados após a fabricação do tecido, dando ao material um acabamento melhor. Esses tratamentos têm a função de preparar o tecido para que ele possa receber tanto um tingimento como uma estampagem (eliminando impurezas, resíduos, etc.).
Independentemente se o tecido é 100% algodão, misto ou 100% de fibra sintética, ele recebe algum tratamento antes de chegar na estamparia, como por exemplo chamuscagem, desengomagem, purga, branqueamento, ramagem, mercerização, sanforização, flanelagem, calandragem, tingimento, entre outros.
Cada processo desses é responsável por conferir ao tecido alguma propriedade especial. Seja em relação à fixação da cor, resistência química, maciez, textura…
Imaginemos que um desses processos seja aplicado de forma falha ou incompleta. Não há nenhuma segurança sobre a aderência de tintas ou até mesmo sobre a aplicação nos processos digitais.
Para as tintas serigráficas, é muito importante aplicar alguns testes nos tecidos, por mais simples que sejam. Um método simples, mas eficiente, é a gota d’água: Se a água for repelida, é sinal de que há algum tratamento que dificulta sua absorção. Consequentemente, pode ser que a tinta à base d’água possa encontrar dificuldades na ancoragem.
Seguramente, o teste de impressão dará maiores e mais completas informações sobre o substrato. Neste caso, é importante observar o tempo de secagem e cura, ao ar ou em estufa, sempre considerando as instruções da ficha técnica da tinta. Outros métodos incluem testes de solidez, promovendo atrito, e finalmente, o teste de lavagem, que simula as ações de lavagem mais comuns.
Uma bateria de testes com estes critérios trará todas as informações de adequação (ou não-adequação) da tinta selecionada, de forma rápida e de baixo custo, e o mais importante de tudo: será o suficiente para evitar um grande prejuízo financeiro e profissional.
Finalizando, é essencial não abrir mão de um laboratório de testes, pois além de ser um ambiente de trabalho adequado para garantir a qualidade da impressão e a obtenção de cores com perfeição, ajuda a cuidar da salubridade do ambiente de trabalho.
Definitivamente, o ponto fraco de qualquer empresa é o contínuo prejuízo do retrabalho. O melhor método é sem dúvidas seguir o que diz a famosa frase: “Fazer certo na primeira vez”.

Tire suas duvidas aqui