Jornal O Serigráfico

Tendo como política de vida vender soluções e não produtos, o paulista Valdir Cardoso Borghi iniciou na serigrafia mais por necessidade do que por interesse.
Naquela época, o ramo estava em crescente desenvolvimento, oferecendo grande oportunidade de trabalho para quem iniciava, mesmo sem experiência. Na época, contou com a ajuda do seu irmão mais velho, Vagner, que até hoje atua na estamparia e confecção e muito contribuiu para transferir conhecimentos e aprimorar seus ensinamentos.
Trabalhando na área há aproximadamente 34 anos, Valdir iniciou sua jornada trabalhista aos nove anos de idade, em um mercado no bairro onde residia com a família.
Com quatorze anos iniciou sua evolução no ramo serigráfico ao trabalhar na empresa Camurfloc, onde fazia flocagem em tecido corrido. Desde então, já almejava estar cada vez mais integrado com o que fazia e conta que chegava a dormir dentro da estufa.
“Quando eu trabalhava na Camurfloc, tínhamos que limpar a estufa a cada 15 dias. Essa
estufa tinha 10 metros. Em tempos de frio, eu ligava a estufa um pouquinho antes, para
aquecer, para entrarmos lá e limpar. Diversas vezes após terminar, eu dormia lá dentro.
Quantas vezes o encarregado tinha que bater na estufa para acordar a gente? Eu tinha
exatamente 16 anos, eu adorava fazer isso”, recorda com alegria.
Trabalhou por um tempo na Bernini, que funcionava em Guarulhos, primeiro na área de estampa de cilindros e, depois, no ramo de representação de tintas.
Ao completar 22 anos, começou a trabalhar na Styl Tintas, empresa iniciante no ramo de fornecimento de tintas para serigrafia, como representante comercial.
Foi uma década de dedicação até ser convidado a trabalhar na Colordex, também com a mesma função. A empresa estava no início de sua produção, com aproximadamente dois anos no mercado, e Valdir a acompanharia pelos anos seguintes com todos os desafios que viessem pela frente, contribuindo para o seu crescimento.
Já ingressado, se adequou às novas tendências, procurando se aprimorar cada vez mais no mercado.
“Queria saber o que estava vendendo, não apenas vender, queria entender o que meus clientes queriam e precisavam, então comprei uma estamparia”, explica Valdir.
Por um tempo, conseguiu conciliar o emprego na Colordex e a administração da estamparia, mas, por não conseguir se dedicar inteiramente a cada uma, vendeu a estamparia e passou a se dedicar tão somente ao ramo de vendas, tendo como base o que já havia aprendido em sua jornada, levando-o a entender cada vez mais integralmente seus clientes. Para tanto, comprou duas lojas em Minas Gerais, uma em Juiz de Fora e uma em Belo Horizonte, com o propósito de ajudar os clientes da região, garantindo o abastecimento de produtos.
Hoje, passados 22 anos, Valdir continua na Colordex e conta o que mudou desde seu ingresso no ramo:
“Houve muitas mudanças do tempo que iniciei para os dias de hoje. Antigamente não havia
tantos fabricantes, havia 4 ou 5, talvez, e todos com produtos bons e de qualidade. Hoje,
surgem muitos fabricantes, que fazem um produto mais barato, mas não de tão boa
qualidade ou qualidade nenhuma, o que dificulta, pois clientes querem bons produtos mas
também querem preço, e hoje, você precisa, mais do que antes, mostrar a eles que nem
sempre o preço mais baixo compensa no final do mês. A dor de cabeça será maior após a
produção, mas esse é um ponto negativo, temos muito mais pontos positivos, como por
exemplo a tecnologia e o mundo conectado em que vivemos. Hoje eu consigo ver e entender
o que meu cliente que está em uma cidade distante, de outro estado, precisa. Ele me manda
uma foto, com todos os detalhes, suas dúvidas ou curiosidades e eu recebo em meu
celular e já posso ajudá-lo na hora, o que não acontecia antigamente, pois eu precisava me
deslocar até ele para entender o que tinha ocorrido. Assim facilita de ambos os lados, pois
eu entendo sua necessidade e já encaminho a solução. A facilidade que temos
hoje em nos comunicar com o cliente é vantajoso demais, para todos”, comenta Valdir.
Sua família sempre esteve muito ligada ao segmento serigráfico. Seus dois filhos já tiveram comércio relativo à serigrafia. Seu filho mais velho, Valdir Borghi Jr., foi dono de uma loja de produtos serigráficos e hoje trabalha com o pai na Colordex, como representante comercial.
Já o mais novo, Bruno Borghi, possuía uma estamparia e hoje atua em outra área.
Apesar de ter começado pela necessidade do mercado, hoje continua pelo amor ao que faz.
“Algumas coisas sempre tive como modo de vida e fator principal na minha carreira desde o
início. Nunca dei trabalho aos meus clientes, sempre alinhei e ofereci o que era melhor para
eles, nunca vendi algo que eles não fossem precisar ou que não servia. Sempre me antecipei
aos pedidos, fazia e faço de tudo para entregar a tempo o que solicitam, seja pedido,
ajuda ou indicação. Sempre que há um problema ou uma questão, já levo duas ou três
alternativas de solução.
Clientes não compram produtos, compram soluções, me procuram não por ser o mais barato,
mas sim por melhor ajudá-los em seus serviços.
Trabalho até hoje porque gosto do que faço, tudo o que consegui em minha vida foi através
do meu trabalho e dedicação. Entrei nesse ramo por necessidade e era o que tinha naquela
época, e tenho certeza que foi a melhor escolha que tive”, finaliza Valdir.

Mara de Paula Giacomeli
Jornalista e editora do jornal O Serigráfico
mara@oserigrafico.com

Comente: