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Impressão Digital Têxtil: versatilidade e alta produtividade

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Por: Mara de Paula Giacomeli

De acordo com a ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, está projetado neste ano um crescimento de 8,3% em manufaturas têxteis e 23% no vestuário em comparação a 2020.

Equipamentos de impressão digital de grandes formatos ganham cada vez mais espaço e abrem novos mercados de atuação. Um exemplo disso é o setor têxtil, que a cada dia usa da tecnologia a fim de acelerar a produção.

A impressão digital têxtil segue com uma crescente evolução devido à sua versatilidade, alta produtividade e custos menores em comparação aos métodos tradicionais, como a serigrafia.

A serigrafia industrial, principalmente de tecido corrido, exige um setup demorado e, muitas vezes, perda de material, impactando no custo final. Já com a impressão digital, isso não acontece, pois permite-se simular a impressão e saber dos resultados antes mesmo da impressão; outro detalhe relevante é que pode-se fazer pequenas tiragens, o que na serigrafia industrial de tecido corrido não é viável.

A impressão digital têxtil pode ser aplicada em todos os tipos de tecidos, para cada tipo de fibra, seja ela natural, artificial ou sintética.

Entre os tipos de impressão digital têxtil, temos a impressão sublimática e a modalidade direta em tecido, que reúne a impressão de corantes reativos, corantes ácidos e tintas pigmentadas, cada uma com suas peculiaridades, equipamentos próprios e adequadas a um tipo de situação.

Sublimáticas

Seu mecanismo de ação envolve uma série de transformações físicas:

  • a estampa deve ser impressa em um tipo de papel próprio para esse fim.
  • o tecido, juntamente com o papel, é colocado na prensa da impressora a alta temperatura, transformando o pigmento em um gás, que se liga ao tecido;
  • o tecido recebe então um tratamento de fixação.

A impressão sublimática é feita com tintas de corantes dispersos e é aplicável nas fibras de poliéster. Por ser uma tecnologia seca, sem uso de água, é a mais difundida em pequenas estamparias e em instalações mais curtas e mais simples, já que o capital necessário é baixo e não demanda tratamento de efluentes.

Devido às elevadas temperaturas, praticamente só permite a utilização em poliéster e outros tecidos sintéticos.

Direto no tecido (DTG – Direct to Garment)

A tinta é aplicada diretamente no tecido e compreende dois processos:

  • Impressão com pigmentos

É como uma impressão tradicional de jato de tinta. O tecido é como se fosse um papel no qual a tinta é aplicada diretamente e se fixa devido à afinidade com as fibras do tecido.

  • Impressão com corantes reativos ou ácidos
  • Para que a tinta se fixe ao tecido é necessário acrescentar um corante.
  • A impressão com corantes reativos, como o nome diz, utiliza tintas de corantes reativos e é aplicável nas fibras celulósicas (algodão, viscose, rami, linho), mistas de algodão/poliéster, artificiais de celulose recuperada (tencel, lyocel etc.) e, alternativamente, as cores diferentes do preto podem imprimir poliamida.
  • A impressão com corantes ácidos utiliza tintas de corantes ácidos e é aplicável nas fibras de poliamida, seda, lã e outras fibras animais.

Todos os processos acima demandam instalações muito longas e caras, utilizam preparação complexa, vaporização, lavação, amaciamento e rama. São as de instalações mais caras e que demandam mais espaço, água, tratamento de efluentes e capital.

Já a impressão de tintas pigmentadas utiliza tintas de pigmentos orgânicos nanodispersados, é aplicável nas fibras celulósicas (algodão, viscose, rami, linho), mistas de algodão/poliéster, artificiais de celulose recuperada (tencel, lyocel etc.) e, alternativamente, podem imprimir poliéster e poliamida. É uma estamparia simples e muito mais barata que as estamparias de reativos e ácido. Demanda uso de pouca água e o tratamento de efluentes é menor que o da serigrafia de quadros; é a tecnologia mais acertada para pequenas estamparias, instalações, curtas e simples. Além disso, o capital necessário é baixo e a fixação é feita nas mesmas polimerizadeiras da serigrafia.

É considerável ressaltar que o processo de impressão digital têxtil direta exige o tratamento das peças antes da impressão.

 “O mais importante para a impressão digital direta no tecido é o tratamento. Sem ele as outras fases não andam”, explica Herculano Ferreira, daArtZone – Arte & Tecnologia.

Entre os problemas que podem ocorrer durante o processo, ele destaca: “Desvios de cores do segundo e demais lotes de produção de uma mesma estampa são um problema muito comum, principalmente com intervalo acima de 3 meses do primeiro lote. A reprodução de cores é mais problemática e a separação ajuda muito no funcionamento correto dos RIPs. Caso não haja exigência de cores mais exatas, isso não é uma questão preocupante, mas quem entregar cores mais corretas aliadas a outras necessidades ligadas ao profissionalismo da estamparia tende a ter mais clientes de moda e de comunicação visual compradores de cores memoriais”.

Veja abaixo algumas etapas para a realização de impressão em materiais têxteis de acordo com o corante utilizado:

Processo de sublimação:

Impressão em papel – Processo de transferência em calandra

Impressora   +   Calandra

● Impressão direta:

Para corantes reativos, ácidos e dispersos

Pré-tratamento – Impressão – Vaporização – Lavagem/amaciamento – Secagem

Foulard – Impressora – Vaporizadora – Lavadora – Rama

Processo de impressão direta com pigmento

Pré-tratamento (opcional) – Impressão – Termofixação

Para quem pretende investir neste ramo, é necessário escolher o equipamento de acordo com o nicho escolhido:

  • Estamparias de camisetas (varejo): impressoras para baixo volume e menor área de impressão.
  • Empresas de roupas e acessórios têxteis de marketing: impressoras para médio volume de impressão, com variados tamanhos, para os negócios com maior necessidade de produtividade.
  • Fábricas: impressoras industriais para grande volume.

É importante ficar atento aos investimentos necessários para cada processo. A sublimação é o investimento de menor custo, seguido pelo processo de pigmento e processo disperso impresso direto no tecido. Já para o reativo e ácido, o investimento é muito alto, podendo chegar a milhões de reais investidos.

“A tecnologia de impressão direta é relativamente nova no mercado e sua utilização tem se tornado cada vez mais essencial para o mercado têxtil. Creio que os investimentos iniciais sejam um dos grandes motivos pelos quais a tecnologia não está completamente difundida no mercado nacional”, finaliza Adriana Moraes, supervisora de desenvolvimento têxtil da Mimaki Brasil.

Agradecimentos:

Mimaki Brasil / Adriana Moraes e Tiago Marciano / https://brasil.mimaki.com/

Arte & Tecnologia / Herculano Ferreira / herculano@artzone.com.br / (85) 99601-5001

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